''As Viagens de Gulliver'', em cartaz a partir de hoje no Brasil, está dando dor de cabeça para os executivos da 20th Century Fox. Arrecadou míseros US$ 7,2 milhões em sua estreia, sendo que custou US$ 112 milhões. Um fracasso retumbante, mas que não se limita às bilheterias. O resultado também é insatisfatório na tela, o que torna o filme franco favorito ao prêmio Framboesa de Ouro - dedicado aos piores da temporada.
Não à toa, a Fox tem investido pesado na divulgação em mercados periféricos. Como o Brasil, onde a estratégia inclui comerciais de tevê e centenas de cartazes espalhados pelas capitais. Ainda assim, é difícil acreditar que o longa estrelado por Jack Black (de ''Escola do Rock'' e ''King Kong'') rivalize com sucessos como ''Harry Potter'', ''Megamente'' e ''Enrolados''.
Com direção de Rob Letterman (das animações ''O Espanta Tubarões'' e ''Monstros Vs. Alienígenas''), ''As Viagens de Gulliver'' apenas se inspira no romance clássico de Jonathan Swift, publicado em 1726. O ponto de partida é a redação de um jornal em Nova York, onde Lemuel Gulliver (Black) trabalha como entregador de correspondência.
Ele não tem vida social e nutre uma paixão platônica pela editora de Turismo. Disposto a impressionar a garota, diz que também escreve artigos. A mentira cola e Gulliver acaba sendo enviado para cobrir uma pauta no Triângulo das Bermudas. Mas a viagem, claro, não sai como o esperado. Depois de ter seu barco tragado pelas ondas, o personagem acorda no reino de Lilliput, cercado por pessoas minúsculas, vestidas como se ainda estivessem no século 18.
Inicialmente tratado como um monstro gigante, e depois como herói, Gulliver reconstrói a própria trajetória para os lilliputianos. Em suas histórias de vida falseadas, ele mistura referências do cinema como ''Guerra nas Estrelas'', ''Titanic'' e ''Avatar''. São os únicos momentos realmente engraçados do filme.
À frente de um elenco interessante, o carismático Jack Black bem que se esforça para segurar as pontas, porém o roteiro não ajuda. A maioria das piadas é simplória e as situações simplesmente começam e terminam sem muita costura (quando não são pontuadas por merchandising). Taí mais um exemplo de projeto milionário que falhou no essencial: o investimento num bom script.

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