Trata-se de um trabalho pra lá de simples. Mas assim mesmo, ‘‘O Grande Encontro’’ - que reúne Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho - é um daqueles discos que se ouvem numa sentada só e por muitas e muitas vezes. O grande trunfo se deve às releituras feitas só com violão permitindo a valorização de algumas letras tocantes como ‘‘Chão de Giz’’ (Zé Ramalho), com Elba; e ‘‘Tesoura do Desejo’’ (Alceu Valença) com Alceu e Elba.
‘‘O Grande Encontro’’ foi gravado ao vivo no Canecão, Rio de Janeiro. Ao todo, 17 faixas. Apenas uma inédita - ‘‘A Prosa Impúrpura do Caicó’’, de Chico César, que Elba canta com todo o vigor. O disco abre com a singela ‘‘Sabiᒒ (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) e encerra com um pout pourri que traz a saturada ‘‘Banho de Cheiro’’ (alguém precisa avisar Elba que a música já encheu o pacová) e ‘‘Frevo Mulher’’.
O recheio do disco traz canções conhecidíssimas como ‘‘Coração Bobo’’, ‘‘Dia Branco’’, ‘‘Admirável Gado Novo’’. Há também belíssimas canções ressuscitadas como ‘‘Veja/Margarida’’ (Vital Faria), cantanda por Elba; ‘‘Trem das Sete’’, em que Zé Ramalho homenageia seu ‘‘colega de profecia’’ Raul Seixas; e belíssima ‘‘O Ciúme’’, que Geraldo Azevedo canta com toda a delicadeza que a canção de Caetano Veloso pede.
Mas coube a Alceu Valença estabelecer os momentos de maior empatia com o público em ‘‘Pelas Ruas que Andei’’ e na cômica e instigante ‘‘Jacarepaguá Blues’’ (Zé Ramalho). A grande falha de ‘‘O Grande Encontro’’ está na ficha técnica do show que não informa quando o show foi registrado e também quem toca violões nas faixas. Sabe-se, por exemplo, por foto, que Elba arranha o violão, mas onde...
Seria interessante e mais coerente com o título que o CD trouxesse também um breve relato de como foi a idealização do show. E, se não for pedir muito, explicar por que no tal grande encontro faltou a figura e a voz de uma outra expressão nordestina que sempre teve afinidade com os quatro: Amelinha. Mesmo assim, o resultado final é simplesmente delicioso. (A.M.J.).

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