Um encerramento brilhante
Abraham Shapiro
Especial para a Folha2
O Festival de Música de Londrina encerrou anteontem sua 19ª versão como era de se esperar: em grandioso estilo. Todos estão de parabéns - dos organizadores ao pessoal de infra-estrutura. A alta qualidade de vida da cidade de Londrina está confirmada não só na opção de grandes empresários ao optarem por instalar seus negócios, como também na arte e na cultura. Temos, hoje, um dos grandes maestro da nova geração brasileira - Norton Morozowicz. Vive um dos momentos mais brilhantes de sua carreira. Demonstra com grande nitidez não só prática e domínio na regência, como plena desenvoltura e grande sensibilidade na interpretação. A Sinfônia em Ré Menor, de Cezaré Franck, incluída no programa, é uma peça que ratifica todos estes predicados.
Trata-se de uma composição de difícil execução dado volume de contrastes sonoros e fraseado pouco usual no estilo em que se enquadra o compositor belga. Norton fez o alegretto - segundo movimento - com uma leitura muito delicada e impressionante para uma ocasião de encerramento de Festival, quando músicos de pouca ou nenhuma convivência se juntam numa apresentação repentina.
Fiquei positivamente surpreso com Haiastã, de Ricardo Tucushian. Músico brasileiro com um estilo muito claro e comunicativo; um talento ímpar que deixa-nos orgulhosos do ritmo e da melodia sempre encantadores e envolventes do Brasil.
A cidade de Londrina é privilegiada e abençoada por sediar eventos da magnitude deste festival. Apesar de todos os lamentáveis problemas de verbas e outras barreiras próprias do momento - todas transpostas graças à persistência e ao positivismo de pessoas como o prefeito Antonio Belinati; a diretora pedagógica do FML, Magali Kleber; a secretária Municipal de Cultura, Angela Marçal; e Luís Parellada, presidente da Sociedade dos Amigos do Festival de Música de Londrina - o 19º FML deixa marcas de excelência na história da música nacional.
A Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina está se superando cada vez mais. Sua qualidade cresce a cada concerto. Sendo base imprescindível para a orquestra do Festival de Música, estabeleceu e confirmou seu status de melhor orquestra univertária brasileira. É a orquestra da UEL. É a orquestra de Londrina. É a orquestra do povo de Londrina. Mais do que nunca é hora de reunirmo-nos em volta deste patrimônio inigualável e nosso para preservá-lo, incentivá-lo e conduzi-lo, cada vez mais, ao destaque e ao patamar de evidência que merece no quadro nacional e internacional. Parabéns Londrina!!!
O engenheiro Industrial e também especialista em música erudita Abraham Shapiro comentou o concerto de encerramento do 19º Festival de Música de Londrina a pedido da Folha2





