Uma piscina, duas mulheres. Uma acredita ser a mais forte, a outra... é. O embate verbal e psicológico travado por duas ex-atrizes, a senhorita X e a senhorita Y, constitui o tema de ‘‘A Mais Forte’’, monólogo escrito pelo dramaturgo sueco Johan August Strindberg, em 1889. A adaptação dirigida por Carla Diacov e produzida por Camila Fontes estréia hoje, a partir das 21 horas, no Teatro Núcleo I, em Londrina.
Apesar de ser um monólogo, há em toda a peça uma interação dramática entre as personagens vividas por Camila (srta. X) e Carla (srta. Y), mesmo que a última permaneça muda durante a conversa. A escolha pelo texto, segundo a diretora, se justifica por sua brevidade, já que se trata de apenas um ato.
Carla teve seu primeiro contato com a peça durante leituras de textos dramáticos, que realizava junto a colegas formandos da primeira turma da Escola Municipal de Teatro (EMT). Ela interpretou o Chapeleiro Maluco, personagem de ‘‘Alice Através do Espelho’’, primeira montagem da EMT. Depois encarou o monólogo de Nelson Rodrigues, ‘‘Valsa nº 6’’, também dirigindo a si mesma. Essa última apresentação deve ser a única produção londrinense a integrar a Sul Mostra Teatro, em maio, dentro do Festival Internacional de Londrina (FILO).
A ambientação original de ‘‘A Mais Forte’’ passou por algumas adaptações, apesar de não haver nenhuma especificação quanto à época nem à localidade. A lanchonete em que as duas se encontram transformou-se em uma piscina. O figurino foi composto a exemplo dos maiôs floridos dos anos 50 e 60. A trilha sonora, assinada por Luciano Silva, traz ‘‘Dengosa’’ de Castro Perret e uma música do repertório de Carmem Miranda, incluída no filme ‘‘Rádio Auriverde’’. Segundo Carla, essa música encerrará o espetáculo, funcionando também como uma homenagem ao público. Aliás, será o único momento em que a personagem de Diacov abandona seu ar introspectivo, passando a cantar junto à srta. X.
O enredo da peça se assemelha muito à obra-prima de outro sueco, o mestre do cinema Ingmar Bergman, confesso fã de Strindberg. Em 1966, Bergman opôs duas grandes atrizes – Liv Ullmann e Bibi Andersen – no filme ‘‘Persona’’, apresentando um conflito extremo que acaba por complementar almas tão opostas. Em ‘‘A Mais Forte’’, que parece ter inspirado o filme de Bergman, a senhorita X destila um ataque verbal desenfreado, mostrando o triângulo amoroso que se formou entre ela, a srta. Y, e seu marido, diretor da companhia teatral em que trabalharam. Há vários indícios que podem apontar que a srta. Y seja a mais forte, como o fato de srta. X imitá-la ao se deliciar com chocolates e o seu filho ser homônimo do pai de srta. Y. Carla Diacov, no entanto, prefere deixar ao público a decisão sobre quem é a mais forte: ‘‘Haverá muitos subsídios durante a peça para o espectador descobrir’’ prevê.
‘‘A Mais Forte’’ conta com patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura e da Interstation. O apoio é da Splash Centro Aquático e da Virhus Acessórios. O orçamento, que incluía a inserção de um filme durante a apresentação, foi reduzido a R$ 12 mil, seguindo a orientação - que a Secretaria Municipal de Cultura deu a todos os produtores este ano - de diminuir o custo total em 50%.
• ‘‘A Mais Forte’’ de Johan August Strindberg. Direção, figurino, cenário, adaptação e interpretação: Carla Diacov. Produção e interpretação: Camila Fontes. Trilha Sonora: Luciano Silva. De quinta a domingo, até a próxima semana, a partir das 21 horas, no Teatro Núcleo I (Rua Quintino Bocaiúva, 1243), em Londrina. Ingressos: R$ 10,00.

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