DivulgaçãoCena de ‘‘El Corte’’, do grupo argentino Sportivo Teatral, que estréia hoje no Núcleo 1A programação do Festival Internacional de Londrina traz um dia movimentado, com duas estréias e três reapresentações, além de demonstração de trabalho com o grupo Cia. da Ópera Seca, às 11 horas, no Grêmio Literário e Recreativo Londrinense, aberto aos interessados.
Uma das estréias é ‘‘La Hojarasca’’, do grupo colombiano Corporación Estudio Teatro. O espetáculo, que teve sua estréia adiada porque o grupo teve problemas para chegar a Londrina, terá duas apresentações hoje, às 17 e 19 horas, no Alternativo 2 (Até o fechamento desta edição, os organizadores do FILO não haviam definido o local da apresentação. O público interessado pode entrar em contato pelo telefone 043-321-1030 ).
‘‘La Hojarasca’’, dirigida pelo polonês Pawel Nowicki, é uma novela da história da Colômbia escrita por Gabriel Garcia Marquez. A idéia essencial do espetáculo é a memória, sem respeitar, porém, a cronologia dos fatos e onde cada personagem tem sua versão dos acontecimentos. A epígrafe da novela, recorrente a ‘‘Antígona’’, de Sófocles, compõe a ação central do espetáculo.
Ambientada em uma América Latina cheia de maravilhas e de catástrofes, a
história mostra, através de monólogos, a luta de um coronel, sua filha e seu neto, para vencer a hostilidade do povo que não quer fazer o enterro de um misterioso homem que cometeu suicídio. Com apenas 30 minutos, a trama se desenrola a partir de detalhes mínimos onde, entre o êxtase e a tristeza, os membros da família contam os fatos que ocorreram sob a sua própria ótica. O espaço cênico é uma simples porta, signo de entrada e saída, com divisão de interior e exterior.
Divulgação‘‘Nowhere Man’’, de Gerald Thomas, será reapresentado no Espaço Alternativo 1
Outra estréia Também estréia hoje ‘‘El Corte’’, do grupo argentino Sportivo Teatral, no Núcleo 1. Dirigido por Ricardo Bartís, o grupo usa a ironia para questionar o poder político e cultural de seu país. Numa grande metáfora - que comprova a maturidade da linguagem teatral do diretor -, a peça é um drama constrangedor temperado com uma comicidade patética, onde a moralidade não entra em discussão.
A peça se desenrola num açougue, onde dois açougueiros cortam e recortam lembranças enquanto fatiam carne. Amantes de uma mesma mulher no passado, o dois discutem para decidir qual deles é pai de um adolescente, que mal sabe definir sua sexualidade. Entre ser touro ou toureiro, ‘‘El Corte’’ é o resultado de uma proposta de conscientização histórica e política defendida pelo grupo e indica que é preciso transcender tanto a morte de um quanto a vitória do outro.
Olhar irônicoNa UEL, às 20 horas, continuam as apresentações do grupo francês Que-Cir-Que, com o seu ‘Circle’’. Depois do espetáculo desta noite, a troupe faz um intervalo no Festival e volta a se apresentar na próxima quarta-feira. Às 20h30, o grupo espanhol Nats Nuts Dansa encerra sua participação no Filo com a reapresentação de ‘‘Que Dius Que Qué?’’, no Cine-Teatro Ouro Verde. O espetáculo é um mergulho na imaginação em que voz, música, luz e corpo caminham sempre para a surpresa. A montagem utiliza a dança como instrumento teatral de transmissão de emoções e sentimentos, num jogo mágico.
No Alternativo 1, o polêmico diretor Gerald Thomas e sua Companhia da Ópera Seca reapresentam ‘‘Nowhere Man’’, às 21 horas. De autoria do próprio Thomas, que desta vez exercita sua veia cômica, o texto traz um olhar irônico sobre o mundo das relações artísticas. É uma espécie de autobiografia do diretor, que parece colocar em cena suas raspas e restos românticos.
O espetáculo é ambientado num terreno baldio com lixo e lama, onde o protagonista - interpretado por Luiz Damasceno - retrata o drama do homem moderno perante a banalização da cultura.

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