Um domingo de muitas opções
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 1997
Telma Elorza 
DivulgaçãoCena de El Corte, do grupo argentino Sportivo Teatral, que estréia hoje no Núcleo 1A programação do Festival Internacional de Londrina traz um dia movimentado, com duas estréias e três reapresentações, além de demonstração de trabalho com o grupo Cia. da Ópera Seca, às 11 horas, no Grêmio Literário e Recreativo Londrinense, aberto aos interessados.
Uma das estréias é La Hojarasca, do grupo colombiano Corporación Estudio Teatro. O espetáculo, que teve sua estréia adiada porque o grupo teve problemas para chegar a Londrina, terá duas apresentações hoje, às 17 e 19 horas, no Alternativo 2 (Até o fechamento desta edição, os organizadores do FILO não haviam definido o local da apresentação. O público interessado pode entrar em contato pelo telefone 043-321-1030 ).
La Hojarasca, dirigida pelo polonês Pawel Nowicki, é uma novela da história da Colômbia escrita por Gabriel Garcia Marquez. A idéia essencial do espetáculo é a memória, sem respeitar, porém, a cronologia dos fatos e onde cada personagem tem sua versão dos acontecimentos. A epígrafe da novela, recorrente a Antígona, de Sófocles, compõe a ação central do espetáculo.
Ambientada em uma América Latina cheia de maravilhas e de catástrofes, a
história mostra, através de monólogos, a luta de um coronel, sua filha e seu neto, para vencer a hostilidade do povo que não quer fazer o enterro de um misterioso homem que cometeu suicídio. Com apenas 30 minutos, a trama se desenrola a partir de detalhes mínimos onde, entre o êxtase e a tristeza, os membros da família contam os fatos que ocorreram sob a sua própria ótica. O espaço cênico é uma simples porta, signo de entrada e saída, com divisão de interior e exterior.
DivulgaçãoNowhere Man, de Gerald Thomas, será reapresentado no Espaço Alternativo 1
Outra estréia Também estréia hoje El Corte, do grupo argentino Sportivo Teatral, no Núcleo 1. Dirigido por Ricardo Bartís, o grupo usa a ironia para questionar o poder político e cultural de seu país. Numa grande metáfora - que comprova a maturidade da linguagem teatral do diretor -, a peça é um drama constrangedor temperado com uma comicidade patética, onde a moralidade não entra em discussão.
A peça se desenrola num açougue, onde dois açougueiros cortam e recortam lembranças enquanto fatiam carne. Amantes de uma mesma mulher no passado, o dois discutem para decidir qual deles é pai de um adolescente, que mal sabe definir sua sexualidade. Entre ser touro ou toureiro, El Corte é o resultado de uma proposta de conscientização histórica e política defendida pelo grupo e indica que é preciso transcender tanto a morte de um quanto a vitória do outro.
Olhar irônicoNa UEL, às 20 horas, continuam as apresentações do grupo francês Que-Cir-Que, com o seu Circle. Depois do espetáculo desta noite, a troupe faz um intervalo no Festival e volta a se apresentar na próxima quarta-feira. Às 20h30, o grupo espanhol Nats Nuts Dansa encerra sua participação no Filo com a reapresentação de Que Dius Que Qué?, no Cine-Teatro Ouro Verde. O espetáculo é um mergulho na imaginação em que voz, música, luz e corpo caminham sempre para a surpresa. A montagem utiliza a dança como instrumento teatral de transmissão de emoções e sentimentos, num jogo mágico.
No Alternativo 1, o polêmico diretor Gerald Thomas e sua Companhia da Ópera Seca reapresentam Nowhere Man, às 21 horas. De autoria do próprio Thomas, que desta vez exercita sua veia cômica, o texto traz um olhar irônico sobre o mundo das relações artísticas. É uma espécie de autobiografia do diretor, que parece colocar em cena suas raspas e restos românticos.
O espetáculo é ambientado num terreno baldio com lixo e lama, onde o protagonista - interpretado por Luiz Damasceno - retrata o drama do homem moderno perante a banalização da cultura.


