O próprio Max Cavalera afirma que ‘‘Soulfly’’ é um álbum concebido na tragédia. Quase toda a tragédia provoca uma ruptura e qualquer pessoa passa a ser diferente depois dela. O assassinato de Dana Wells e a separação do Sepultura foram a tragédia. ‘‘Soulfly’’ é a mudança.
É claro que na primeira orelhada já dá para saber que é Max Cavalera cantando. Afinal, ele não pode mudar a voz que lhe consagrou. O disco, principalmente no começo, lembra muito o Sepultura, mas um Sepultura já depois de ‘‘Roots’’, o disco que antecedeu a separação. Está bem mais para hardcore do que para heavy metal ou speed metal.
Mas é impossível pensar em Sepultura quando se ouve a música que dá nome à banda. ‘‘Soulfly’’ é toda instrumental e, como diz Max, na entrevista desta página, é a música mais triste que ele já fez na vida.
As mudanças também estão por conta das participações da turma do Nação Zumbi, mais experiências com sampling (na música ‘‘Bumba’’, com a coordenação do produtor Mário Caldato, ex-Beastie Boys) e uso de novos instrumentos (Max toca cítara em Soulfly). Sem contar a participação de inúmeros convidados especiais como Chino, do Deftones, Eric Bobo, do Cypress Hill, Fred Durst e DJ Lethal, do Limp Bizkit e muitos outros.
A nova banda é enxuta e poderosa, formada, além de Max, é claro, por Lucio Maia, guitarrista do Nação Zumbi que no disco assina o nome de Jackson Bandeira; Roy ‘‘Rata’’ Mayorca, baterista fundador da Thorn e que também é produtor; e Marcello D. Rapp, baixista que por alguns anos foi roadie do Sepultura.
Outra surpresa do disco é a versão para ‘‘Umbabaraúma’’, de Jorge Ben, que casa bem com a proximidade da Copa do Mundo. A nova versão tem ‘‘atitude’’, como gosta de falar Max Cavalera, referindo-se ao peso e à velocidade que fazem uma boa banda de rock. ‘‘Soulfly’’ tem que ser ouvido por quem gosta de rock pesado e pode ser resumido assim: é um disco de ‘‘atitude’’. L.C.O.

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