Com o lançamento do CD ‘‘Ivan Lins, Chucho Valdés e Irakere - Ao Vivo’’, a música de Lins dá mais uma prova de que consegue sobreviver às releituras. Após ter sido abordado de maneira jazzística - por Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e George Benson - e de mostrar seu lado ‘‘bolerístico’’ - com Tania Libertad -, o repertório de Lins revela no novo disco tudo o que tem de ‘‘saleroso’’, ‘‘caliente’’ e cubano.
E, devido à qualidade dos cubanos do Irakere, não foi um trabalho dos mais difíceis. Lins disse que conheceu o grupo em 1981, quando ambos participaram de um festival. Naquela época, o trompetista Arturo Sandoval e o saxofonista Paquito d’Rivera - que depois desertariam de Cuba - faziam parte do grupo cubano. Começou então aquele processo de admiração mútua que culminou com o convite para que, em fevereiro deste ano, Lins gravasse com o Irakere em Havana (Cuba).
Irakere Jesus Chucho Valdés é pianista, líder e um dos fundadores dessa confraria de cubanos que há 23 anos mistura jazz, mambo e rock, sem perder as raízes cubanas.
O grupo - hoje com nove músicos - tem seus alicerces em Chucho, no baixista Carlos D’Puerto, no baterista Enrique Pia e no saxofonista Cesar Lopez. O cantor e compositor carioca chegou a Havana e só ensaiou duas vezes com o Irakere. ‘‘Embora o registro no disco seja mais contido do que foram os ensaios, o resultado do show foi uma farra’’, disse. ‘‘Assim como os músicos brasileiros, os cubanos têm muita ginga e facilidade para navegar por qualquer estilo musical.’’
Mas, no final, a maior virtude do disco é fazer o ouvinte pensar e concluir que as versões definitivas para os clássicos de Lins podem ainda estar por vir.

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