São Paulo - Na França, ele é ator e diretor de prestígio, ganhou o César, o Oscar francês, pela direção de ''Ne le Dis à Personne''. No Brasil, uma boa forma de apresentar Guillaume Canet talvez seja dizendo que ele é o sr. Marion Cotillard, casado com a estrela que ganhou o Oscar (de Hollywood) por sua criação como Piaf. Antes, o cara foi casado com Diane Kruger, o que não é pouca coisa. Canet dirige ''Até a Eternidade'' (Les Petits Mouchoirs), que ele próprio, numa entrevista realizada em Paris - nos encontros promovidos pela Unifrance -, definiu como seu 'film de potes', ou seja, de amigos.
A entrevista com Canet, em Paris, era para falar de ''Le Dernier Vol'', de Karin Dridi, em que contracena com a mulher. Marion faz uma aviadora francesa que voa sobre o Saara, ele integra o Exército colonial francês. No final, a entrevista foi muito mais sobre os filmes do próprio Canet e sobre sua linda mulher. Ele contou como o processo de ''Ne le Dis à Personne'' havia sido estressante. ''Trabalhei muito na montagem, no lançamento e no final estava tão debilitado que peguei um vírus. Fui parar no hospital, com suspeita de septicemia. Isso me levou a repensar minha vida, minhas prioridades.''
Mas o verdadeiro início do que viria a ser o filme em cartaz ainda demorou mais um tempo. ''Ne le Dis'' é de 2005, ''Até a Eternidade'', de 2010. Canet o havia concluído, estava cheio de expectativa face à acolhida do público e da crítica (que foi favorável, na França). Em 2007, partiu em viagem com uma amiga, que não identificou. Começou a lhe falar do filme de amigos que pretendia realizar. Foi quando percebeu que o projeto estava praticamente pronto no seu imaginário. Escreveu o roteiro nos intervalos de filmagem de ''L'Affaire Farewell'', do qual foi ator, em 2008.
Convocou os amigos - François Cluzet, que faz o líder do grupo, aquele que vai para o hospital na ficção e isso desencadeia a crise dos amigos; Jean Dujardin; e a mulher amada, Marion Cotillard. ''Jean, eu conheço desde o jardim de infância. Cobrava dele -tu te souviens de Mademoiselle...? Ele se lembrava de todas as professoras que tivemos, desde aquela época.''
O modelo assumido de Canet foi ''O Reencontro'', de Lawrence Kasdan. ''Não conheço ninguém que não goste daquele filme nem que não seja tocado pela amizade daquele grupo. O que queria colocar na tela era justamente a união das pessoas e questionar as pequenas mentiras, sobre as quais construímos nossas vidas. Você está contente com seu trabalho? Com sua companheira?''
Ele admite que os diálogos, as cenas, vieram antes que a estrutura e que o clima de companheirismo foi essencial no set, mesmo que eventualmente, pela própria confusão entre realidade e ficção, surgissem atritos. ''A equipe técnica participava desse clima. Todos conhecidos, muitos amigos. Não creio que o cinema deva ser sempre assim, mas, às vezes, dá certo. Veja os filmes de Claude Sautet (o diretor de 'As Coisas da Vida'). Quando crescer, quero ser como ele'', brinca.
E ''Le Dernier Vol''? ''Foi muito interessante de fazer. A aventura no deserto, a estrutura romanesca do relato. Pena que o público não tenha se deixado seduzir.'' Marion? ''É o amor da minha vida, e uma atriz formidável. O mundo todo já se deu conta de como ela é especial. E Marion, quando entra na personagem, é para valer.''

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