Beatriz Coelho Silva
Agência Estado
O cantor e compositor Bob Marley é o personagem central da exposição que começa hoje no Centro Cultural da Caixa, no centro do Rio. Até o dia 06 de fevereiro, quando completaria 55 anos, o maior nome do reggae terá fotos, objetos e documentos pessoais expostos, além da exibição de vídeos de seus shows e da apresentação de bandas brasileiras que deram seguimento ao seu trabalho. Marley morreu em 1981, de câncer, pouco depois de uma festejada visita ao Brasil, que ajudou a popularizar aqui o estilo cultuado até hoje.
A exposição sobre Bob Marley foi montada há nove anos, por dois fotógrafos ingleses, Adrian Boot e Arthur H. Gorson, que documentaram suas turnês e seus momentos íntimos nos anos 70. São mais de cem fotos em situações diversas, no palco ou com a família de muitos filhos, nas quais aparece o músico que cantava letras políticas e o homem dedicado a seus amigos e antigos companheiros das ruas pobres da Jamaica. A mostra completa-se com letras e biografias traduzidas, discos de ouro e capas de seus álbuns.
‘‘Marley deu ao mundo uma música brilhante, de caráter universal, e fez de sua obra um manifesto contra a opressão e a prepotência’’, diz o responsável pela vinda da mostra ao Brasil, Filipe Cavalieri. ‘‘Um dos objetivos desse projeto é trazer essa mensagem e mantê-la viva’’.
Bob Marley nasceu em St. Ann, uma província jamaicana, em 1945 e, desde os 6 anos, apresentou-se em público para ganhar algum dinheiro que o fizesse escapar da miséria. Foi criado só pela mãe e pelo avô, o curandeiro Omeriah Norval, pois seu pai, um inglês, fugira antes mesmo de seu nascimento. Aos 12 anos, mudou-se para Kingston, capital da Jamaica, e foi em Trench Town uma favela bem parecida com as brasileiras, que conheceu seus companheiros do Wailers - Peter Tosh, Jimi Cliff, Bunny Livingstone, Junior Braithwaite e Beverly Kelson.
O primeiro sucesso veio ainda em 1964, mas não trouxe dinheiro aos músicos e eles se separaram. Só voltaram a se reunir nos anos 70 e o primeiro disco da nova fase, ‘‘Cath a Fire’’, virou um hit imediato. Logo Bob Marley se tornou o músico preferido dos poderosos roqueiros ingleses, dos Rolling Stones a Eric Clapton, que gravou ‘‘I Shot the Sheriff’’, um dos clássicos do reggae. Além de músico de reggae de sucesso, Marley era militante político (o que lhe valeu um tiro num atentado, na Jamaica) e religioso (adepto da cultura rasta).
Nos três fins de semana em que a exposição vai estar no Rio, haverá shows de artistas brasileiros de reggae e exibição de vídeos dos espetáculos de Marley, incluindo os antológicos ‘‘Caribean Nights’’ e ‘‘Live at the Rainbow’’. Vídeos de seus filhos também serão projetados (na programação há um de Ziggy Marley, o que chegou mais perto do sucesso), com destaque para o Marley Magic, que reuniu todos os seus descendentes no Central Park, em Nova York, em 1995, ocasião em que foram lembrados os seus 50 anos. Depois do Rio a mostra viaja pelas principais cidades do Brasil.

mockup