Um credor vai à luta
FRINGE Um credor vai à luta Um Credor da Fazenda Nacional mostra um personagem às voltas com a burocracia e é uma das estréias do Fringe DivulgaçãoCena de Um Credor da Fazenda Nacional: espetáculo trata da pobreza e da criatividade Zeca Corrêa Leite De Curitiba A Cia. São Jorge de Variedades, de São Paulo, está hoje e amanhã no Canal da Música, mostrando as desventuras do sujeito que quer receber do governo aquilo que lhe é devido. Pois bem, ele vai à luta e que luta! enveredando pelos corredores da burocracia. Com Um Credor da Fazenda Nacional o fringe começa a toda no 9º Festival de Teatro de Curitiba. O texto é de Qorpo Santo, o dramaturgo que paciente ou impacientemente demoliu pedra por pedra as instituições nacionais. A narrativa de 1866 tem sua ambientação adaptada para o final do século 20, o que mostra que a vida brasileira continua a mesma, tanto ontem como hoje de um lado os governantes, de outro o povo. Enfim, a história é a esperada: o credor é engolido pela máquina burocrática quando tenta receber uma quantia em dinheiro. A falta de vontade dos funcionários públicos soma-se às normas, guichês, corredores, departamentos e nesse vaivém o pobre coitado sente-se indo à loucura. Desesperado, o homem tenta entender o que se passa, por que é tão difícil conseguir um objetivo que se mostrava tão simples. Há uma colossal parede de indiferença e, a essas alturas revoltado com a humilhação, ele grita. Vê que aos berros é mais fácil ser ouvido e então a caminhada toma outros rumos. Sob direção de Georgette Fadel, a peça foi concebida para ser levada em locais não convencionais. O público acompanha os cinco atores por espaços variados, testemunhando as agruras dos personagens. O grupo acumula alguns prêmios e observa que no espetáculo fala-se do Brasil, de pobreza, de miséria. Porém, ainda é possível ser rico e criativo, se souber costurar e colar. Juntar os cacos.





