UM CORPO EM EVIDÊNCIA
Leandro Calixto
TV Press
Todo ano, quando chega o Carnaval, é a mesma coisa: esbanjando ginga e sensualidade, Valéria Valenssa se torna um dos principais símbolos do carnaval brasileiro. Foi exatamente há dez anos que esta carioca despontou para principal festa popular do Brasil como a mulata Globeleza, à frente das vinhetas da Globo. Para comemorar uma década da criação da personagem e elaborar a vinheta deste ano, o designer e marido de Valéria, Hans Donner, se inspirou na Festa do Parintins, no Amazonas. Com 50 quilos magicamente distribuídos em 1,69 de altura, Valéria vai aparecer no ar com pinturas indígenas, e aos poucos, se transformando até chegar à mulher brasileira do ano 2000. Realmente este ano é muito especial para mim. Por mais otimista que fosse, jamais sonharia em ser a musa da Globo por dez carnavais, surpreende-se a modelo e dançarina de 28 anos.
Mas nem tudo é motivo de festa quando chega o Carnaval para Valéria. Para gravar as vinhetas deste ano, ela passou mais de 20 horas em sessão de maquiagem, feita pelo japonês Todashi Harada. Foi passada purpurina e tinturas especiais por todo corpo, que só foi coberto por um tapa-sexo. Ela garante o fato de aparecer praticamente nua não a incomoda. O Brasil é um país liberal e democrático. E as pessoas também me respeitam, conta Valéria durante produção da vinheta, num estúdio localizado no bairro de São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Depois da exaustiva maquiagem, Valéria começa a gravar a vinheta sambando. Pacientemente, ela segue todas orientações de Hans Donner. A Valéria é de um profissionalismo fora do comum, elogia Hans, sem nenhuma imparcialidade. Para fazer um trabalho como este, Valéria realmente acredita que precisa ter muita paciência e disciplina. Mas as quase 24 horas de produção acabam recompensando no final. Qualquer canto do país que visito, as pessoas enaltecem o meu trabalho. Isto é muito gratificante, comemora.
Durante a vinheta, que deve ser veiculada a partir de quarta-feira, a imagem começa a ser enfocada do olho de Valéria, onde estará refletida a chegada das caravelas em terras brasileiras. Esta viagem no tempo vai ser acompanhada por um fundo de florestas tropicais, que também vai mudando para uma iluminação moderna, com efeitos semelhantes aos de um show. Hans Donner revelou que foram gastos mais de R$ 50 mil para elaboração da vinheta, que deve ter a duração de 30 segundos no ar. Pretendia fazer algo futurista. Mas prevaleceu a beleza, sensualidade e carisma da Valéria, derrama-se.
O designer explica que decidiu o tema deste ano da Globeleza depois de acompanhar a tradicional Festa do Parintins, no Amazonas. Hans ficou impressionado com o evento folclórico do Norte do país. É uma das manifestações populares mais criativas que já vi em toda minha vida. Fiquei encantado com a beleza e irreverência daquelas pessoas de Parintins, conta o alemão criado na Áustria, mas que mora no Brasil há 25 anos.
A mulata Globeleza endossa o que diz o marido. Na edição do ano passado, ela participou da festa de Parintins, que é realizada com a disputa de dois blocos: Caprichoso e Garantido. É uma dança diferente do carnaval carioca. Mas também bastante contagiante, enaltece Valéria, que acabou visitando os ensaios dos dois blocos.
Além de ilustrar as vinhetas da Globo, Valéria pretende desfilar por três escolas de samba neste ano: na Mocidade Alegre, de São Paulo, onde é rainha de bateria, e nas cariocas Unidos do Viradouro e Caprichosos de Pilares. Nestas duas, ela deve desfilar como destaque no chão. Por mim, sairia em todas as escolas. É que não dá tempo e também é muito desgastante, lamenta.
Fora o período de folia de Momo, ela participa em todo o país de carnavais fora de época. Para este ano, a modelo pensa em dar um novo salto em sua carreira. O plano é gravar um CD de pagode. Mas o projeto só deve ser retomado depois que acabar o Carnaval. Valéria conta que, inclusive, já encomendou músicas para alguns compositores. Quero fazer um trabalho bem popular o que, aliás, é minha cara, planeja.





