Curitiba - Dez anos depois do músico Arnaldo Antunes ter se separado do Titãs em busca de um terreno solo, ainda é quase impossível dissociar a figura do músico da banda, que virou ícone dos anos 80. Mas aos saudosos, o costume se faz necessário. ''Estou há tanto tempo sozinho quanto fiquei no Titãs'', lembra Antunes. Ele esteve ontem em Curitiba para abrir o evento Jovens Semanas, do Colégio Positivo. Ao lado de Alice Ruiz participou de uma espécie de palestra com o tema ''Música e Poesia'' e a noite fez show no Canal da Música para divulgar o seu quinto CD solo, ''Paradeiro''.
Antunes diz se sentir um ''contrabandista de signos'' ao falar sobre os dois temas. Tanto a música como a poesia trabalham com a palavra, é certo. A diferença, conforme diz, é que a música tem uma penetração maior no Brasil, enquanto a poesia, admite, é mais restrita. Já faz tempo que o músico migrou para o mundo literário, e paralelo ao trabalho solo na música já publicou diversos livros. O disco ''Padadeiro'' é fruto de um trabalho mais ''maduro'', como ele define. ''Estou tentando não repetir o que já fiz e descobrir novas sonoridades''.
Essa descoberta rendeu uma parceria inédita num trabalho com essa dimensão com o músico Carlinhos Brown. ''Acho que, em Paradeiro, a minha linguagem desabrocha. Nesse trabalho tenho plena identificação com essa musicalidade que venho perseguindo e encontro parte dela em Brown'', diz no site dedicado a seu trabalho. Ontem, na entrevista não falou muito sobre os projetos atuais e futuros. Sobre os próximos trabalhos, aliás, disse ainda estar em ''fase embrionária'' e muito cedo para falar deles. ''Por enquanto estou empenhado em divulgar 'Paradeiro' que foi lançado o ano passado'', disse. Mas em poucas palavras adiantou que um novo livro e um novo disco estão a caminho.

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