Um conto de ratos e gatos
Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Londrina
Especial para a Folha2
Em Nova York, garoto filho único encomenda a papai e mamãe um irmãozinho adotivo. Ela (Geena Davis) e ele (Hugh Laurie) trazem do orfanato para casa um ratinho, logo batizado de Stuart (voz original de Michael J. Fox). O novo membro da família é apresentado a George (Jonathan Lipnick, o filho da namorada de Tom Cruise em Jerry Maguire) e ao volumoso gato persa Snowbell (voz original de Nathan Lane). Na realidade cá da Terra, este núcleo familiar não faria sentido. Mas como o mundo de Stuart Little (veja programação de cinema na página 5) é virtualmente de conto de fadas, tudo é possível e aceitável. O filme é sobre como se sentir diferente e, em especial, sobre como ser ou não aceito por isso. Curto, ágil e bem-humorado, entrega bem o recado.
Bem-feitinho, fofo, querido pelas platéias que o adotam de imediato, o pequeno roedor é de fato uma atração impecável, como caráter tipicamente ianque, como símbolo ideológico e como produto miraculoso da engenharia digital que se supera a cada dia. Mas sua existência no novo convívio familiar e no coração das platéias não seria a mesma se Snowbell e sua turma não garantissem a melhor diversão e as tiradas mais inteligentes do filme.
Aos gatos pertencem as melhores linhas dos diálogos, saborosos quando se trata de definir papéis na recém-instalada ordem familiar. A saia-justa de um Snowbell, encabulado e constrangido diante do gato amigo que rola de rir quando sabe que Stuart é intocável, é momento de antologia. Também inspirado é o timing da sequência da caçada final no Central Park, com o mafioso Smokey (voz original de Chazz Palminteri) em maus
lençóis.
Confira as estréias de cinema na página 6





