Quantas mulheres não sonham com o sapato ideal, com o modelo, a cor e o material exato? Desde pequena, Lilian Pólvora não apenas idealizava modelos como até chegava a sonhar - literalmente - com eles. Hoje, ela acaba de terminar um estágio de três meses em uma unidade da Chanel, na Itália. E, mesmo com o término de dois cursos em que aprendeu tudo sobre sapatos, Lilian vai permanecer morando em Milão: ela foi convidada por um grupo de empresários a criar e assinar a sua primeira coleção.
A história tem nuances de contos-de-fadas: tudo começou quando Lilian, ainda criança, ganhou seu primeiro ''sapatinho de cristal'': um sapato com estrelinhas penduradas. A paixão foi tão grande que mesmo muitos anos depois ela ainda sonhava com aquele modelo - e com vários outros, reais e imaginários. ''O sapato é um fetiche. O pé é uma parte do corpo que ninguém tem muito cuidado, e o sapato o deixa mais bonito, mais glamouroso'', define Lilian.
A vontade de fazer dessa paixão uma profissão a levou a cursar Desenho Industrial na Unopar. Durante o curso, ela percebeu que o enfoque não era tanto para a moda, mas os conhecimentos adquiridos foram úteis para que Lilian fizesse cursos no exterior. Com cidadania italiana, ela foi para Londres e depois para a Itália.
E foi ao final do segundo ano estudando sapatos em Milão que surgiu a oportunidade de fazer o estágio na Chanel. Lá, além de desenhar os próprios modelos, ela também aprendeu toda a parte técnica de confecção dos calçados até sua finalização. ''Fazer sapato é como fazer uma roupa: você faz a manga, a gola e depois vai juntando as peças. E é muito matemático, tem que fazer muita conta'', revela.
O alto padrão de qualidade dos sapatos italianos foi um dos pontos que mais chamaram a atenção da estilista. Tudo é extremamente criterioso: desde o couro usado em todos os calçados (tão macio que às vezes parece tecido) ao material usado no forro e à forma utilizada, respeitando os formatos dos pés de cada país (a Chanel tem um depósito de formas específicas para calçados que vão para o Japão, Estados Unidos e outros).
Durante o estágio, ela não só desenhou como confeccionou vários modelos de sapatos e sandálias. Foi preciso refazer alguns mais de uma vez até chegar à perfeição. Mas tanto esforço teve uma boa recompensa: o prazer de calçar um sapato exatamente do jeito que ela imaginou, e ainda com a marca Chanel impressa em um par único, exclusivo e manufaturado - dá ou não dá inveja?
Agora, o olho crítico de Lilian não deixa passar nenhum detalhe em qualquer calçado. ''Eu enxergo os defeitos que antes passavam batido'', reconhece. Assim, ao ganhar da mãe um par de sandálias no último Natal, o encanto já não foi mais o mesmo de quando era pequena: ''Vi que tinha uma parte que pinicava que era só ter cortado o barbante, e que a costura estava um pouco torta'', comenta.
Para a estilista, ainda falta um cuidado melhor com o acabamento nos calçados brasileiros. ''O design é bem criativo, mas não há cuidado com os detalhes. Muitos deixam a desejar'', observa, com o cacife de quem ganhou um concurso na Micam, a maior feira de calçados de moda do mundo.
E o conto-de-fadas a la Cinderela não termina aí: foi na Chanel também que Lilian conheceu Stefano Cancialli, seu namorado há cinco meses e outro apaixonado por sapatos. Tá, não foi exatamente para os pés dela que ele olhou primeiro, embora reconheça: ''Olhei o sapato também!'', enquanto ela assegura: ''Ele estava de tênis.''
Durante a entrevista na casa dos pais de Lilian, enquanto o casal curtia férias em Londrina, porém, foi impossível não notar que, enquanto a estilista calçava sapatilhas Chanel by Lilian Pólvora, seu ''príncipe encantado'' tinha nos pés um par de confortáveis Havaianas.

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