Ao todo, 120 obras de artistas de 40 países. Que poderão ser admiradas a partir de hoje na exposição ‘‘América’’ instalada nas dependências do Museu de Arte de Londrina. A abertura acontece às 20h30 com a presença do idealizador e curador da exposição, José Alberto Pinho Neves. As obras poderão ser vistas pelo público até o dia 21 de dezembro.
‘‘América ’’ é uma exposição itinerante que já percorreu oito cidades, entre elas Belo Horizonte - onde começou em 92, no Palácio das Arte -, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. O acervo compreende pinturas, gravuras, objetos, desenhos, fotografias, diversas formas de conceito, enfim. A vinda a Londrina só foi possível graças ao patrocínio do Colégio Delta, através de pedido feito pela diretora do Museu, Terezinha Santos.
O entusiasmo da instituição foi tanto que, sob a orientação de professores, os alunos do colégio se dividiram em equipes para que, cada uma, pudesse montar uma exposição mostrando uma radiografia de determinado país, que terminou no último domingo. ‘‘Queríamos com isso estimular os alunos a virem a exposição do Museu. O resultado foi muito legal’’- garante Luiz Carlos Silva Costa, diretor geral do colégio.
A vinda de ‘‘América’’ a Londrina tem um significado especial, além da importância do evento: é aqui que a exposição põe ponto final às suas andanças. Os motivos, segundo o curador, são os compromissos com a devolução das obras aos artistas e também por compromissos pessoais. Entretanto, como informa, a partir de março do próximo ano ‘‘América’’ poderá ser vista por todo o mundo através da Internet. ‘‘Com isso, a exposição avança as fronteiras’’- diz José Alberto.
Ele começou a idealizar o projeto há quase seis anos. O primeiro passo foi contactar os artistas através dos catálogos de grande eventos de arte como a Bienal Internacional de São Paulo, Bienal Internacional de Veneza (Itália), Étandarts de la Liberté (França), Documenta de Kassel (Alemanha), entre outras. O tema, obrigatoriamente, era ‘‘América’’ e cada artista poderia, dentro de suas pecularidades estéticas e estilísticas, discorrê-lo como bem entendesse.
Uma única condição foi imposta: que as obras medissem em torno de 30x24 centímentros, embora algumas delas ultrapassem tal metragem. Na opinião do curador, ficaram de fora obras de países representativos como Rússia, China e África do Sul. Mas assim mesmo, a exposição não perde seu viço natural, já que lá estão, por exemplo, criações proveninentes da antiga Tchecoslováquia, Dinamarca, Alemanha, Espanha, Cuba, EUA, Finlândia, Hungria, entre outros. O Brasil é o país com maior número de artistas: 25, alguns vivendo no exterior.
Museu ambulante Apesar de haver tal conotação, a exposição ‘‘América’’ nada tem a ver com os 500 anos do descobrimentos do continente. Foi uma coincidência, ainda segundo o curador. ‘‘A intenção é apenas fazer um retrato documental da América’’- explica ele. Um dos motivos que o levou a realizar essa exposição foi a de levar um pouco de arte também a algumas cidades fora do tradicional eixo Rio-São Paulo.
Para isso, José Alberto, que é professor de arte contemporânea da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), imaginou uma exposição itinerante marcada pela praticidade. Ou seja, de fácil instalação. Para isso, as obras são acondicionadas em quatro armários com 15 gavetas cada um. Algumas peças são expostas e outras permanecem dentro das gavetas para que o próprio público possa manuseá-las. Em outras palavras, qualquer espaço razoável permite a instalação. ‘‘Essa exposição é uma espécie de museu ambulante’’- diz.

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