As derradeiras linhas na vida do artista plástico Paulo Menten foram traçadas no último sábado quando, aos 84 anos, o consagrado 'Mestre das Gravuras' fechou os olhos pela última vez. Produzindo até o fim, o artista deixou como legado toda uma vida de belíssimas pinturas, poemas e pessoas que foram tocadas irremediavelmente pelo seu enorme talento e comprometimento com a arte.
Paulo Menten nasceu no dia 17 de junho de 1927, em São Paulo. Dono de uma habilidade artística inata, aprendeu e desenvolveu sozinho um estilo próprio de pintura antes mesmo de frequentar o curso livre de desenho do Masp (Museu de Arte de São Paulo), entre os anos de 1949 e 1951. Sempre dedicado em aperfeiçoar suas gravuras, o renomado artista ganhou o primeiro de muitos prêmios importantes em 1969, quando teve sua obra reconhecida na 10 Bienal Internacional de São Paulo.
Paulistano de batismo, mas londrinense de coração, Menten se mudou definitivamente para Londrina em 1981, onde começou a lecionar na UEL e abriu seu atêlie. No entanto, o artista começou seu relacionamento apaixonado com a cidade bem antes, em 1948, e participou com suas obras no Salão de Arte de Londrina desde a década de 60, fundamentando fortes raízes na cidade. ''A importância de sua arte para Londrina é enorme. Aqui ele tinha relacionamentos muito bons, tanto de forma profissional como afetiva'', declara o cineasta Wagner Munhê, que foi aluno do artista durante muitos anos e dirigiu o documentário ''Paulo Menten'', contando com textos e gravuras do professor. ''Ele não sabia se iria seguir carreira como pintor ou escritor. Na dúvida, sempre foi os dois'', explica o cineasta, que também admirava Menten pela sua multiplicidade artística. ''Ele sempre foi dono de uma visão muito clara a respeito da arte. Uma compreensão acima do normal'', afirma.
Reconhecidas internacionalmente, as obras de Paulo Menten estão espalhadas em museus importantes no Brasil e no exterior, em países como Israel, Estados Unidos e Rússia. Mesmo aclamado internacionalmente, Menten escolheu permanecer em Londrina e dedicar suas gravuras para a cidade; hoje, seus desenhos podem ser admirados no Museu de Arte e no ''Memorial do Pioneiro'', na Praça Primeiro de Maio. O artista teve o amor pela cidade retribuído em 2008, quando recebeu o título de cidadão honorário. ''Além de suas obras, ele também produziu filhos artísticos. Ele não criou apenas quadros, mas também formou pessoas'', declara o aluno Wagner Munhê, que diz ter aprendido muitas lições no atêlie do velho professor.
''Ele me dizia que existiam três tipos de artista: aquele que faz o que gosta de fazer; aquele que produz a arte para fins comerciais, e aquele que acaba se transformando em uma espécie de sacerdote da arte'', relembra Munhê, que testemunhou os esforços que Menten empregava em suas obras. ''Para ele, ser artista não era uma profissão, era uma necessidade. Era como se, para existir, ele precisasse se alimentar da arte que produzia. Acho que, mais do que um simples artista, ele era um construtor de universos'', declara.
Até executar o último traço, as mãos de Paulo Menten nunca ficaram paradas; conhecido pela constante produção intelectual e pelo trabalho intenso dedicado em suas obras, o artista estava sempre rabiscando, pintando, lendo ou escrevendo. Agora, seu lápis e pincel podem descansar em paz, com uma certeza: as memórias de Paulo Menten, assim como suas gravuras, nunca irão se apagar.

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