Um conhecedor do cravo
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segunda-feira, 19 de janeiro de 1998
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
O construtor de cravos William Takahashi, um dos raros profissionais do gênero no País, com ateliê em São Paulo, está em Curitiba participando da 16ªOficina de Música. Sob sua responsabilidade estão a manutenção e afinação dos oito cravos usados pelos alunos e professores. Um detalhe: há 16 anos Takahashi participou como aluno da primeira edição do evento.
O músico veio à cidade para ter aulas de flauta doce com Luis Ribeiro de Toledo Piza e Elder Parente Pessoa. Voltou noutras vezes, numa época em que a vida era mais fácil. Ao se profissionalizar foi dar aulas no Conservatório de Tatuí (SP) e lá percebeu que a escola não possuía cravos. Passou a estudar o instrumento, fez estágios no Japão e Estados Unidos até especializar-se no assunto.
Para ele, o encontro em Curitiba é da maior importância. Os melhores músicos do Brasil estão reunidos aqui, o que é impossível acontecer em qualquer escola do País. O professor Manfred Kraemer, de Interpretação Barroca no Violino e Viola, faz coro a Takahashi: A Oficina é um evento único na América Latina porque conta com o apoio institucional e o entusiasmo individual pela música.
O professor fala com a experiência de quem passou dez anos na Europa, onde estudou música barroca na Alemanha, e fundou, em 1985, a orquestra Concerto Koeln. Em 1986 passou a integrar o grupo Música Antiqua Koeln e gravou inúmeros concertos. Apresentou-se como solista por toda Europa, Ásia, Austrália e Américas. É premiado internacionalmente.
A música antiga vive dias de ascenção, afirmou Manfred Kraemer. Hoje ela tem conseguido atrair maior atenção do público, vendendo mais que os concertos de Karajan, por exemplo, afirma. Qual o motivo dessa preferência? O professor responde que como o mercado fonográfico sofre uma grande saturação, o consumidor se retrai na compra. Acaba escolhendo algo que seja realmente distinto, diz.


