Um computador e uma boa história para contar
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
Flavia Guerra <br> Agência Estado 
Los Angeles - Está na capa da Wired: ''Como a Pixar funciona?'' A tecnologia pode até ser decifrada, mas como é trabalhar na Pixar? Como diz a produtora Denise Ream, fazer um filme de animação é como construir um carro. ''A Pixar, e o processo todo, funciona como uma linha de montagem. É uma fábrica. De criação, claro, mas uma fábrica.'' A brasileira Nancy Kato, uma das ''animadoras'' de ''Carros 2'', há 20 anos vivendo em São Francisco e há mais de uma década na Pixar, explica: ''É uma ótima empresa para se trabalhar. Eles se preocupam com a saúde dos funcionários, há massagistas de plantão nos dias de muito trabalho. O Lasseter é um cara ótimo, do tipo que abraça o funcionário.''
'''Em Carros 2', por exemplo, minha equipe foi responsável por criar os movimentos dos personagens. Antes de chegar até nós, há a fase de criação. Quando entramos no processo, é para dar vida e ação aos personagens'', explica a animadora, que, entre outras, também esteve na equipe de Toy Story.
Para criar o universo hiper-realista de ''Carros 2'', Nancy passava muitas horas à frente do computador. ''Como todo animador, jornalista e diagramador, a gente fica tempo demais sentado. E para checar se as condições de trabalho são as melhores possíveis, a Pixar tem uma equipe que controla a ergometria, a posição do computador, da cadeira, da mesa''
Uma empresa padrão, que oferece refeições praticamente gratuitas aos funcionários. ''Não é de graça. É subsidiada. As pessoas não valorizam se for de graça. E o pessoal da cozinha se sentiria desvalorizado. Então, cobramos um preço de custo'', esclarece Ed Catmull, presidente e cofundador da Pixar.
''Como os estúdios ficam longe do centro, percebemos que a hora do almoço, em vez de unir, dispersava o pessoal. Então criamos o restaurante; assim, os funcionários podem aproveitar a companhia dos colegas.'' A estratégia funcionou. Nancy não quer deixar a Pixar por nada. ''Às vezes perguntam por que não volto para o Brasil e abro minha própria produtora. Mas sei que o mercado é difícil. Eu teria de fazer muita publicidade. Prefiro ser assalariada na Pixar.''


