Um começo feliz
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
Jackeline Seglin 
Um londrinense estará concorrendo, pela primeira vez, na Mostra Super-8 do 26º Festival de Cinema de Gramado (RS), que acontece de 8 a 15 de agosto. O jornalista Caio Júlio Cesaro participou da direção do curta Final Feliz. O filme nasceu depois que Cesaro participou de uma oficina de cinema para S-8 realizada em São Paulo. Ele vai concorrer com outras 16 produções.
Cesaro é formado pela Universidade Estadual de Londrina, especialista em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, e atualmente cursa mestrado em Comunicação e Mercado na mesma instituição. Ele também é representante da área de cinema e vídeo no Conselho Municipal de Cultura.
O jornalista dirigiu Final Feliz ao lado de Braz Palladino e César SantAna. O curta conta a história de um escritor que é pressionado por seu editor a concluir um livro. Levado por sua imaginação fértil, ele se vê envolvido por seus próprios personagens. O curta tem quatro minutos de duração e traz no elenco os atores Ruy Felipe, Carol de Oliveira e Afonso Bernarde.
O roteiro é assinado por Sérgio Concilio. A equipe que trabalhou com Caio é formada por Antonio Ferrari e Sidney D. Jesus (produção) e Cláudia Klefens e José Perini Jr. (fotografia). A oficina foi coordenada por Sérgio Concilio (direção), Marcos Fontana (fotografia) e Elza Corsi (produção). A produtora que representa Final Feliz em Gramado é o Núcleo de Cinema & Vídeo de Londrina/Cinema 81635.
A premiação em Gramado será no dia 12. A expectativa de Cesaro não é exatamente o prêmio - que obviamente seria bem-vindo. Mas o que ele quer é fortalecer e mostrar a idéia que Londrina tem potencial para produzir cinema. A seleção de Final Feliz foi prova disso.
ReproduçãoCesaro tem trabalhado na intenção de criar um movimento cinematográfico na cidade. Tudo começou com o 1º Encontro de Cinema e Vídeo de Londrina, realizado em 1993. Depois, ele foi criador e produtor executivo do Sessão Brasil. Este projeto visa exibir na cidade filmes nacionais em lançamento, contando ainda com a participação de representantes da produção e do elenco para debater com universitários e comunidade interessada.
Quero mostrar que é possível fazer cinema em Londrina. Agora, minha intenção é trazer essa oficina para a cidade até o final do ano, diz. A oficina abrange todo o processo necessário para se fazer um filme, incluindo produção, direção e fotografia. É o caminho ideal para começar tudo. Agora é arranjar gente que esteja a fim de fazer. O jornalista diz que o evento, que custa entre R$ 10 e R$ 15 mil, está aberto a qualquer apoio institucional. Depois podemos inscrever o resultado em festivais e mostrar a cara de Londrina em outras cidades.
O jornalista acredita que o queaprendeu e tem aprendido em cinema pode ser compartilhado com pessoas que tenham ou queiram adquirir experiência. Cinema é, sobretudo, equipe. Sem uma equipe é difícil fazer um filme, adianta. Não é só chegar e organizar. As coisas não podem acontecer sozinhas. Eu acredito que a oficina pode integrar e criar coesão entre as pessoas.
Para explicar como funciona o processo de produção na oficina, Cesaro adianta que é preciso primeiro começar, para errar e poder acertar. Na verdade, eles procuram não te deixar errar. Eles avisam o que não deve ser feito, evitando estragar o material, que é caro.
Para se dedicar a qualquer função cinematográfica também é preciso paciência e boa vontade. Em seis dias de oficina, a filmagem de Final Feliz levou 30 horas para colher 10 minutos de material e editar apenas quatro. Dá trabalho e, mesmo assim, nem sempre sai tudo certo. Este filme, por exemplo, tem alguns erros, que foram detectados na tela. Sem contar as divergências de concepção. Mas é o primeiro passo para não errar de novo.
Mas, por que filmar em película 8 milímetros? Cesaro explica que mesmo não sendo tão utilizada como antigamente, a Super-8 voltou a ser explorada em escolas e cursos de cinema nos Estados Unidos. Numa oficina, o que importa é o processo, o como fazer o filme. A película, no caso 8 mm, não interessa tanto.
A Super-8 é um formato experimental, mais restrito no circuito de exibição. A dificuldade em trabalhar com S-8 está mais na questão do mostrar depois. A vantagem é que o custo barateia. Conforme aumenta a película, aumenta também a produção e o custo, explica.
O jornalista está criando o Núcleo de Cinema & Vídeo de Londrina e tem a idéia de montar um cine-clube, trazendo mostras e fazendo debates regulares. Para 1999, os projetos de Cesaro incluem a volta do Sessão Brasil e o lançamento de um CD-ROM dos cineastas londrinenses, baseado em sua monografia do curso de graduação.
Cesaro acredita que Londrina tem boas chances de encaminhar um projeto deste tipo. Na cidade existem emissoras de TV locais, que podem encaixar as produções em sua programação. Temos também as universidades que formam profissionais de marketing, artes cênicas, comunicação, arquitetura, música etc, gente que pode ser aproveitada, observa. Outro impulso para esta iniciativa é o filme de Tisuka Yamazaki, que terá uma parte rodada em Londrina. Esta produção vai mostrar a cidade lá fora e vai dar uma força muito grande para o meu projeto.
A idéia, a partir de agora, é amarrar as coisas para que o projeto aconteça. Não estou pensando em grandes produções. Mas se aqui as pessoas fazem teatro, por exemplo, por que não fazer cinema?, questiona.
Para o diretor-jornalista, fazer Final Feliz foi um prova da possibilidade de tornar real o processo de fazer cinema. Você realmente entra para esse mundinho. Sem contar que é uma experiência prazerosa, na qual você trabalha em grupo, convive com as pessoas e consegue ver resultados. Também é concretizar um sonho. A partir disso, você estabelece a idéia de fazer outras coisas. Não tenho a pretensão só de exercer determinada função e sim de ver Londrina produzindo cinema.
Aliás, um sonho de Cesaro é fazer um filme sobre Londrina. Já tem até o nome: Gole de Café. Este projeto não tem prazo definido. Ele vai acontecer aos poucos, avisa.


