Um clássico traído
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2009
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Um dos grandes e indiscutíveis clássicos do cinema de FC e do cinema em geral, 'O Dia em que a Terra Parou' foi refilmado em 2008. Este remake chega hoje ao circuito nacional - em Londrina em duas salas no multiplex, em cópia dublada. Na versão de 1951, o diretor então estreante Robert Wise advertia sobre os riscos do perigo nuclear. O mensageiro a dar o duro recado à Terra era o extraterrestre Klaatu (Michael Rennie), que aterrissava em Washington acompanhado do robô Gorg e sofria feroz perseguição das forças de segurança dos Estados Unidos. Sua missão não era hostilizar, mas simplesmente advertir: se as armas nucleares não parassem de ser produzidas, os humanos se transformariam em ameaça ao universo, e outros planetas não teriam outra alternativa a não ser destruir a Terra. O recado pacifista era tão singelo quanto contundente.
Agora, 57 anos depois, o diretor Scott Derrickson ('O Exorcismo de Emily Rose'), resolveu adaptar aquele roteiro aos novos tempos, e transformou a corrida armamentista (era a década da Guerra Fria), o pesadelo nuclear de então em motivação ecológica contemporânea - contaminação ambiental e aquecimento global. Se comparados os dois filmes - e isto é absolutamente inevitável -, esta versão de agora se revela explicitamente inferior, mesmo valendo-se do aparato tecnológico inexistente (e de resto desnecessário) em Hollywood há quase seis décadas.
Narrado com ineficaz ritmo de aventura, com raros momentos de suspense e muito e inútil melodrama baseado na relação que se estabelece entre Klaatu, a cientista (Jennifer Connelly) e o ingrato enteado dela (Jaden Smith), 'O Dia em Que a Terra Parou' nunca acerta o tom. Após um início promissor - a cientista é recrutada com grande mistério junto com outros colegas, em sequências que lembram bastante os 'Contatos Imediatos' de Spielberg, o certo é que a história é praticamente interrompida depois da fuga do hospital.
Derrickson deixou-se seduzir pelas possibilidades dos modernosos efeitos especiais, e se encanta mostrando grandes destruições em detrimento da narrativa. Talvez tenha sido convencido pelos produtores, já que em vários momentos o objetivo parece ser a exibição de parafernália catastrofista como em 'O Dia Depois de Amanhã', embora tudo bem inferior ao padrão do filme de Roland Emmerich. 'O Dia em Que a Terra Parou' resulta pouco sério, pouco divertido, nada original e não suficientemente espetacular, embora finja ter estas qualidades. E ainda por cima dublado.


