Marcos Losnak
De Londrina
Especial para a Folha2
A paixão é um tema recorrente e infindável na literatura mundial. A história de amantes, que precisam enfrentar todo tipo de dificuldades para provarem o gosto da felicidade, pode ser considerado uma espécie de arquétipo.
As histórias que se tornaram mais populares foram exatamente aquelas que, apesar da força do amor em busca da felicidade, não trazem o tal almejado ‘‘final feliz’’. Como verdadeiros heróis, os apaixonados enfrentam todos os desafios em nome dos sentimentos. Mas, como se o amor fosse maior que a própria vida, acabam perecendo em sofrimento. Nesse âmbito destacam-se três histórias clássicas: ‘‘Romeu e Julieta’’, ‘‘Abelardo e Luiza’’ ‘‘Tristão e Isolda’’.
De autoria anônima, ‘‘Tristão e Isolda’’ é uma lenda de origem celta surgida por volta do século 12. Ganhou numerosas versões chegando até os dias de hoje sem perder sua vitalidade trágica. Já foi transformada em ópera, filme, espetáculo teatral a agora recebe uma versão destinada ao público infanto-juvenil. Realizada pela pesquisadora Maria Nazareth Alvim de Barros com ilustrações de Odilon Moraes a versão acaba de ser publicada pela Editora Companhia das Letrinhas com o título ‘‘O Amor e as Aventuras de Tristão e Isolda’’
O livro apresenta a história do jovem Tristão e da bela Isolda de maneira direta preservando detalhes. Órfão de pai e mãe, Tristão foi criado por seu tio, o rei Marcos, tornando-se um valente cavaleiro. Vencia exércitos, gigantes e dragões mas acabou abatido pelo amor de uma mulher.
Encarregado de encontrar uma esposa do tio, Tristão conhece, num reino distante, uma loira estonteante, a princesa Isolda. Na viagem em que Tristão leva Isolda para casar-se com o tio acontece um imprevisto: ambos bebem, por engano, uma poção mágica do amor. Preparada pela mãe da princesa, a poção era para ser tomada por Isolda e o rei Marcos. Na realidade já estavam apaixonados, a poção mágica veio apenas selar seus destinos e colocar mais lenha na fogueira da paixão.
Isolda casa-se com o rei Marcos e passa a viver sua paixão por Tristão pelos corredores e jardins do palácio. Após muita confusão, o jovem cavaleiro acaba sendo expulso do reino passando a viver num território distante onde se casa com uma moça também chamada Isolda.
O final da história é bem conhecida, lembrando o final de ‘‘Romeu e Julieta’’ de Shakespeare. Ferido mortalmente, Tristão pede a um amigo para que encontre Isolda, a única que poderia salvar-lhe a vida. Realizam um acordo: quando voltasse, o amigo deveria hastear uma bandeira branca no mastro do navio no caso de ter encontrado sua amada. E assim acontece. Mas a mulher de Tristão, corroída de ciúmes, avisa-lhe que o navio traz uma bandeira negra. No mesmo momento o valente cavaleiro morre. Ao encontrar o amado morto, Isolda deita-se ao seu lado e também falece. Diz a lenda que foram enterrados juntos e que no local germinou uma roseira e uma vinha que se entrelaçaram num abraço.
‘‘O Amor e as Aventuras de Tristão e Isolda’’ – Recontado por Maria Nazareth Alvim de Barros, ilustrações de Odilon Moraes, 48 páginas, R$ 19,00.