Depois de ganhar o Oscar de Melhor Filme e Direção por ‘‘Operação França’’, em 1971, o diretor William Friedkin não tinha conseguido fazer nada de bom. Há muito tempo ele vinha sendo considerado um caso perdido em Hollywood. No entanto, o cineasta ressurge agora com a refilmagem de ‘‘Doze Homens e uma Sentença’’, um clássico de 1954 dirigido por Sidney Lumet, que, na época, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, Direção e Roteiro, dando o pontapé inicial na carreira de Lumet.
Quem assistiu à primeira versão vai reencontrar a mesma discussão sobre racismo, liberdade, hipocrisia e violência. Tudo se passa entre quatro paredes, onde 12 jurados discutem que sentença aplicar a um jovem acusado de matar o pai a facadas. Como a sentença precisa ser unânime, segue-se uma batalha entre os 12 homens que, numa situação limite, mostram não apenas o que pensam, mas principalmente o que são. É sobretudo um filme de atores, daí a importância na escolha do elenco: Jack Lemmon e George C. Scott dão um show de interpretação.
Ao contrário de Sidney Lumet, que se caracteriza por trabalhos sempre arrastados, William Friedkin - sendo um diretor de ação - aventura-se por uma montagem mais acelerada, com movimentos de câmera mais rápidos. Mesmo sendo 18 minutos mais longo que a primeira versão, ‘‘Doze Homens e uma Sentença’’ não é cansativo. O excelente roteiro de Reginald Rose, a competente direção de William Friedkin e o bom elenco não deixam nada a desejar. Depois de muito tempo fazendo filmes sem qualidade, Friedkin, finalmente, conseguiu fazer algo decente. Duração: 118 minutos (C.M.)

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