Um clássico de roupa nova
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha 2 
ReproduçãoLeonardo Di Caprio e Claire Danes em Romeu e Julieta: nova versão tem enfoque sexy e vibrante
Quase 30 anos separam a mais fiel e popular adaptação de Romeu e Julieta para o cinema, assinada por Franco Zeffirelli em 68, desta outra que chega a partir de hoje às telas de todo o País (veja programação de cinema na página 3). Mas não é só o tempo cronológico que distancia as duas realizações. A de agora, assinada pelo australiano Baz Luhrmann, pretende inovar oferecendo algumas doses de experimentação com toques hard-core. Como, por exemplo, localizar a trama nos dias de hoje, num balneário da Flórida chamado Verona Beach; ou colocar Montecchios e Capulettos como duas gangs que se hostilizam nas ruas enquanto trocam tiros recitando versos de Shakespeare transformados em gíria norte-americana. Como se observa, nada assim tão transgressor a ponto de inviabilizar a tragédia. Ou nem propriamente original a ponto de causar uma revolução revisionista no texto do bardo.
Baz Luhrmann, que fez fama de diretor cult com um único e premiadíssimo filme - Vem Dançar Comigo -, decidiu fazer Romeu e Julieta a partir de um enfoque fresco, sexy e vibrante. Segundo ele, o filme é a história de duas crianças que sabem que seu amor é uma rebelião contra todo o ódio que as cerca. Os sentimentos são extremados: se apaixonar pela primeira vez e cair na armadilha dos familiares e do resto da sociedade.
E para interpretar a dupla, foram convocados dois dos mais jovens e promissores talentos de sua geração: Leonardo Di Caprio e Claire Danes. Di Caprio é do tipo intuitivo, mais cara e coragem; Claire prefere a formação metódica, aprendendo através do estudo. O resultado da combinação e colaboração entre os dois tem sido muito elogiado.
Um recordistaSão 308 adaptações fiéis ou relativamente fiéis; cerca de 40 versões modernas e inúmeras paródias. Esses números fazem de William Shakespeare o autor mais visitado pelo cinema. O texto campeão continua imbatível: é Hamlet, com 74 versões (está saindo a mais recente, de Kenneth Brannagh). Em seguida vem Romeu e Julieta, com cerca de 50 transposições, e Macbeth, filmado 33 vezes .
As versões mais famosas de Romeu e Julieta são a de George Cukor, americana de 36, com Leslie Howard e Norma Shearer, a de Renato Castelani, italiana de 54, com Laurence Harvey e Susan Shentall, e a de Zefirelli, cuja maior novidade foi apresentar dois atores estreantes com as idades aproximadas dos dois jovens amantes, l7 e 15 anos. Leonard Whiting e Olivia Hussey tiveram carreiras apenas discretas. Em 65, na Inglaterra, o diretor austríaco Paul Czinner filmou na íntegra o balé com música de Prokofiev e coreografia de
Kenneth MacMillan. Margot Fonteyn foi Julieta e Rudolf Nureyev, Romeu. Vários outros filmes se inspiraram na tragédia à distância, apenas como pretexto dramático, como no caso mais notável de West Side Story/Amor, Sublime Amor, de 64, realizado por Robert Wise e Jerome Robbins. As comédias também são referenciais, como Romeo y Julieta, de 43, mexicana com Cantinflas, e o sketch com Oscarito como Romeu e Grande Otelo de tranças louras como Julieta no clássico brasileiro Carnaval no Fogo, de 49.


