Marcos BorgesBeto Carreiro: ‘‘É o circo mais moderno e mais bonito do mundo. Londrina é a primeira cidade do interior a ver este espetáculo’’O circo chegou à cidade. E a principal atração, pelo menos ontem na estréia, foi o dono do circo. Que não é palhaço, nem domador, nem malabarista, nem equilibrista, nem acrobata, nem mágico e muito menos atira facas de olhos vendados mas garante que, na falta de algum desses artistas, pode perfeitamente entrar em cena para tapar o buraco. Seu dote artístico é a popularidade, moldada por um esquema inteligente de marketing que o apresenta, principalmente, como um poderoso empresário que conseguiu ficar milionário dentro do ramo de entretenimento. O nome do circo e do dono do circo é o mesmo - Beto Carrero.
Ele veio pessoalmente a Londrina para a estréia do seu circo, marcada para anteontem, num feriadão. O adiamento aconteceu em função da lona não ter chegado a tempo. Lona importada, como faz questão de frisar. O fato de estar ao vivo e em cores em território londrinense, dominado pelo Festival Internacional de Teatro, tem um motivo que ele sabe tirar proveito como ninguém: marketing.
Em outras palavras, ele veio emprestar sua imagem à inauguração do novo design do circo, projetado em forma de castelo. E Londrina é a primeira cidade do interior brasileiro a contar com a novidade anunciada com entusiasmo por ele. ‘‘É o circo mais moderno e mais bonito do mundo’’- avisa. Das quatro unidades circenses que tem, duas são fixas (uma em São Paulo, em formato de castelo; e outra no Rio de Janeiro, em modelo tradicional) e duas itinerantes (uma no formato de castelo e outra tradicional).
Aos poucos, todos as unidades serão verdadeiros castelos sob lonas. É um investimento milionário já que só em lona (alemã) e ferragem, cada castelo está avaliado, segundo ele, em R$ 2 milhões. Daí, o motivo mais que necessário de ele emprestar sua valiosa imagem de cowboy tupiniquim para atrair gente e mais gente. ‘‘Vim pelo marketing mesmo’’- admite.
Cada castelo tem capacidade para 4.100 pessoas. Em função do assombroso número, o empresário assegura que o conforto foi um dos detalhes mais pensados e repensados durante o desenvolvimento da idéia - dele, obviamente. Por exemplo, ninguém precisa se preocupar em enfiar o sapato na terra - o revestimento do solo é de tábuas de ipê.
Por trás da simpatia do homem de circo é possível constatar que cada passo empresarial seu é realmente dado em função do marketing. ‘‘É através do circo que nós vendemos a imagem do Parque (Beto Carrero World, em Santa Catarina). Realmente trabalho muito em função disso, mas costumo dizer que também me divirto muito com tudo isso’’- diz ele.
Entre circo, parque, licenciamento de produtos, enfim tudo o que envolve o seu nome, o faturamento anual de sua empresa é de US$ 110 milhões. É, portanto, um homem rico. Milionário, melhor dizendo. Um milionário acessível, de origem humilde em São José do Rio Preto (SP), onde nasceu e que se recusa a falar sua verdadeira idade. ‘‘A Veja disse que eu tinha 53 anos e a Caras menos. Diante disso, tiro uma média e falo a você que tenho cerca de 50 anos de idade’’- brinca.

mockup