Um caso duradouro: a paixão pelo blues
Um caso duradouro: a paixão pelo blues
ReproduçãoEric Clapton com Chuck Berry e Keith Richards: três grandes nomes da guitarraA fama de exímio guitarrista de Eric Clapton começou há mais de 35 anos, quando, em outubro de 1963, ele aceitou o convite do guitarrista Paul Samwell-Smith e juntou-se a legendária banda inglesa de blues The Yardbirds, que estava começando a dar seus primeiros vôos. Um mês depois de Eric Clapton entrar para o The Yardbirds, o grupo gravou seu primeiro single no Olimpic Studios, com as músicas I Wish You Would, um blues de Billy Boy Arnold, e A Certain Girl.
Na mesma época, a banda também começou a tocar sem parar nos pubs de blues e rhythmnblues da swing London como o Crawdaddy Club, The Marquee e Telephone House. Durante o ano de 1964, os membros do The Yardbirds passaram a maior parte do tempo na estrada, tocando nas principais cidades inglesas e nos primeiros festivais de blues promovidos na Inglaterra como o First Rhythm And Blues Festival, no Birmingham Town Hall, e no Forth Jazz And Blues Festival, em Richmond.
Em março de 1965, em Bristol, Eric Clapton fez seu último show com o The Yardbirds e abandonou o grupo insatisfeito com o rumo que sua música estava tomando, afastando-se do blues e tornando-se pop. Apesar desta guinada, a banda teve uma grande importância neste período, porque foi um dos primeiros grupos a difundir o blues no cenário musical inglês.
Um mês após a sua saída do The Yardbirds, em abril de 65, Clapton recebeu um telefonema em sua casa, em Oxford, onde ele estava passando uns tempos com seus antigos companheiros do The Roosters. Era John Mayall no outro lado da linha, convidando-o para uma audição com sua banda, The Bluesbreakers, pois estava precisando de um novo guitarrista. O resultado todo mundo já sabe. Eric Clapton entrou no ato para o grupo, que na época ficou com a seguinte formação: John Mayall (órgão, harmônica e vocais), Hughie Flint (bateria), John McVie (baixo) e Eric Clapton (guitarra).
A união de Clapton com Mayall mudaria definitivamente a cara do blues inglês, mas a parceria estava começando. John tinha a melhor coleção de discos de blues da Inglaterra, e Clapton mergulhou de cabeça naquela fonte musical de pesquisa, com recursos inesgotáveis. Em pouco tempo, o que já era bom ficou melhor ainda, e ele começou a tocar no estilo de guitarristas mais agressivos como Otis Rush, Freddie King e Buddy Guy. Estava chegando a hora dos quebradores do blues e do nascimento do primeiro British Guitar Hero.
John Mayall & The Bluesbreakers gravaram alguns singles, participaram de programas de televisão e rádio, shows e festivais durante seis meses seguidos. Em novembro de 65, Jack Bruce assumiu o baixo na banda de Mayall, mas ficou por pouco tempo, e John McVie retornou ao seu posto. Esta breve passagem do baixista pelos Bluesbreakers marcou o primeiro encontro de Eric Clapton e Jack Bruce, antecipando a reunião antológica dos dois na formação do Cream, ao lado do baterista Ginger Baker. A nata ainda estava sendo batida, mas logo apareceria na cena para revolucionar mais uma vez o que se chamava de british blues.
Finalmente, em março de 1966, John Mayall e a banda entram no estúdio da Decca, em West Hampstead, para gravar o álbum que se tornou um marco no blues inglês, na carreira de John Mayal e do próprio Eric Clapton, mas, principalmente, na evolução do som da guitarra: John Mayalls Bluesbreakers Featuring Eric Clapton, que foi lançado em julho de 66.
Mayall era considerado o pai do blues inglês, mas rendeu-se ao talento de Clapton, dividindo pela primeira vez o crédito da capa do disco com um outro músico. Clapton subiu mais uns degraus na escada rumo ao Olimpo da Guitarra.
Apesar da fama, o músico não deitou na cama. No auge do sucesso dos Bluesbreakers, ele saiu da banda e deu a seguinte declaração: Não há mais espaço para mim na Inglaterra. Tudo o que eu faço na minha música não é inglês, sua essência vem de Chicago. Eu represento o que está acontecendo em Chicago neste momento. Por isso, meu único caminho é ir para a América.(C.G.)





