Sueli Bortolin: "Meus pais sempre nos aconselharam a respeitar e valorizar a escola e os professores"
Sueli Bortolin: "Meus pais sempre nos aconselharam a respeitar e valorizar a escola e os professores" | Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

Apaixonada por literatura, Sueli Bortolin, bibliotecária e docente do departamento de Ciência da Informação da UEL (Universidade Estadual de Londrina), recorda com carinho o valor da escola e de quem contribuiu para sua formação. De modo bem-humorado, ela se auto-intitula ativista de literatura. "Inventei, pois leio e escrevo todos os dias", sorri. "Estou aposentada, mas continuo orientando alunos do mestrado e do doutorado no programa de pós-graduação em Ciência da Informação da UEL. Em virtude da minha paixão por literatura infanto-juvenil tenho me comprometido com a formação de mediadores de leitura e assessoria em publicação de livros infantis. Estou cada vez mais desejosa de ocupar espaços!"

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?

Meus pais sempre nos aconselharam a respeitar e valorizar a escola, então gostava dela como um todo. Por ser muito tímida só não gostava dos meninos que na hora do recreio zombavam da gente. Muitas vezes eram cruéis. Eu não reagia, mas confesso que tinha muita vontade.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?

Quando passava de um ano para o outro. Só reprovei um ano que fiquei muito doente e perdi muitas aulas. Deu uma tristeza danada! Nem gosto de lembrar. Só lembro que naquele ano, até quem nunca preguntou: “passou de ano", resolveu perguntar.

Onde você costumava se sentar?

Geralmente sentava no meio. Não gostava de ficar no fundo, pois me distraía facilmente e tinha medo de perder a matéria.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?

Gostava mais de ciências e não gostava (e continuo não gostando) de matemática.

Como eram as carteiras? Sentava sozinha ou em dupla?

Aqui em Londrina eram separadas, mas quando moramos um tempo em Rolândia, eram carteiras duplas. Achava muito divertido, tinha uma espécie de vinco onde colocávamos os lápis deitados.

Usava uniforme?

Sim. Um guarda-pó branco, meias brancas e sapato preto. Uniforme que dava muito trabalho para nossa mãe, pois havia poucas ruas asfaltadas em Londrina, portanto muita poeira. Por ser branco o uniforme, chegava a esgarçar de tanto lavar, principalmente na barriga. Naquele tempo o dinheiro era pouco, então a mãe cerzia o tecido na máquina de costura. Quem diria que cerzir roupas depois de muitos anos seria moda!

O que você gostava de comer na hora do recreio?

Levávamos de casa suco de limão que era farto no quintal de casa (até hoje quando tomo sinto cheiro e gosto de infância). Em geral, acompanhado de pão com manteiga.

Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez?

Nunca fiquei de castigo e nem levei bronca de professor. Na infância falava pouco e aprendi que professor tinha que ser respeitado, fui Caxias!

Você e seus irmãos tinham expectativa para a volta às aulas, o material escolar e quem seriam os professores?

Sempre havia a expectativa de volta às aulas. Havia um ritual de dedicação da nossa mãe, ela encapava todos os cadernos e livros. Essa postura nos levou a valorizar escola, livros e professores.

Suas notas eram boas? Qual a disciplina que ia melhor?

Apesar de meus pais terem estudado pouco, eles acompanhavam de perto nosso rendimento. Tive sempre notas boas e as melhores eram em língua portuguesa.

Gostava de ler quando criança?

Sou do tempo em que a literatura infantil não era tão rica e diversificada como hoje, não era fácil e nem possível financeiramente comprar livros. Apesar de saber que havia uma biblioteca pública em nossa cidade, só me lembro de tê-la frequentado depois dos 18 anos.

E quando criança, imaginava que teria essa profissão?

Professora sim, já bibliotecária escolhi um ano antes de fazer vestibular. Quando ainda eu não era alfabetizada, minha família foi morar em um casarão em que funcionara uma instituição japonesa. Que delícia lembrar: eles deixaram para trás muitos livros, quadro-negro e giz. Eu lia as imagens desses livros e me divertia, pois, como éramos pobres e com poucos brinquedos brincávamos de escola com os vizinhos.

Quem eram seus ídolos nessa época?

Picolino e Tia Lucy, faziam programa na TV Coroados.

De que maneira o gosto pela leitura a auxiliou na formação?

Sem dúvida, me fez perceber o mundo de maneira plural, o que me levou a circular em diversos ambientes de cultura, arte e informação.

Ajudava os irmãos nas tarefas?

Sim, pois sou a segunda filha e depois de oito anos nasceu minha irmã e, em seguida, meu irmão. Nunca fui uma aluna brilhante, mas sempre curiosa.

Gostaria de citar alguém que tenha feito parte de sua trajetória?

Fazia e ainda faço projetos para conhecer “em carne e osso” escritores. Então, quando posso me desloco para outras cidades. Já tive a experiência de captar recursos para a vinda de escritores em Londrina, desejando que as crianças os conhecessem também. Entre eles: Ziraldo, Eva Furnari, Rogério Borges, Gloria Kirinus, Liliana Iacocca, Luis Camargo, Marcos Rey e Geni Guimarães.

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