Na melhor tradição de ''dois na estrada'', o roteirista-diretor Tony Gatlif realizou com ''Exílios'' uma sensível jornada de auto-descoberta, um retorno às raízes e um mergulho na musicalidade da alma andaluza. Produção franco-argelina, o filme levou o prêmio de melhor direção ano passado em Cannes e entra hoje no circuito local (confira a programação de cinema na página 2).
Zano (Romain Durys) e Naima (Lubna Azabal) são namorados e moram em Paris. Um dia decidem ir a Argélia para descobrir a terra de onde seus pais tiveram que fuigr décadas atrás. Sem dinheiro, utilizam todos os meios de transporte para chegar. Ele, introvertido, está disposto a correr os riscos que a jornada implica. Ela tem dúvidas acerca do que vai encontrar pelo trajeto feito até mesmo a pé. Cruzar a França e a Espanha vai permitir ao casal conhecer paisagens exóticas e, sobretudo, se aproximar de intensos ritmos musicais. Nesta busca da própria identidade os dois afinal chegarão ao destino, não sem antes encontrar surpresas e se render ao fascínio de ritmos e cores da Andaluzia e do Marrocos.
O cineasta Gatliff (de origem cigana, nascido na Argélia) deixa para Zano as coisas mais fáceis, seu desafio é menos complicado; ao passo que para Naima a resolução é mais dolorosa porque a moça é indecisa em muitas coisas. A trama não se separa nunca desses namorados dispostos a tornar realidade a fantasia sem se deixar abater pelas contrariedades da longa viagem. Em meio a uma geografia de grande beleza, e de personagens típicos agarrados à velhas tradições, Zano e Naima vão vivendo sua paixão e descobrindo, assombrados, como estão física e espiritualmente próximos desta Argélia dos ancestrais.
Trilha sonora e fotografia são elementos que só emprestam maior valor ao conjunto.(C.E.L.J.)

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