Cena de ‘‘A Obra de Arte’’: comédia discute a moralidadeAté que ponto um candelabro de bronze, escandalosamente obsceno pode mexer com a reputação e a vaidade das pessoas que o recebem de presente? Esta é a pergunta do texto ‘‘A Obra de Arte’’, do dramaturgo russo Anton Tchecov que é encenada pela primeira vez no Brasil pelo grupo Teatro Universitário de Maringá. O espetáculo será mostrado hoje, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde dentro da programação do Festival Internacional de Teatro de Londrina. O texto de Tchecov (que se estivesse vivo estaria fazendo 100 anos de nascimento) foi adaptado pelo cubano Hector Quintero.
O espetáculo é dirigido por Eduardo Montagnari( que está em Londres pesquisando a obra de Brecht), e por Luthero Almeida que fez a preparação do elenco.
É um texto que discute a moralidade. A vergonha é colocada para o público fazer uma reflexão entre os limites da arte e da pornografia. Na história o presenteado com o escandaloso candelabro, apesar do seu ‘‘propalado valor artístico’’ tenta desvencilhar-se do objeto passando-o para a frente até um desfecho hilariante. É uma comédia atemporal, considerada pelos atores como um exercício teatral porque é muito minuciosa nos gestos. ‘‘O trabalho vocal também é diferente. A história é um fio condutor em função do excercício’’, conta Pedro Ochôa, ator e assistente da direção do espetáculo.
A sonoplastia é considerada primorosa. Louis Armstrong/The Volga Boatman/Jo Basile aparecem cantando ‘‘Otchi-tchor-ni-ya’’, um dos símbolos da música russa.
‘‘A Obra de Arte’’ recebeu seis indicações no Festival de Teatro de Blumenau, dois prêmios: melhor sonoplastia (Eduardo Montagnari e Pedro Ochôa) e melhor direção: Eduardo Montagnari e Luthero de Almeida. Em Florianópolis receberam prêmio de melhor maquiagem; no Festival Nacional de Teatro Amador de Ponta Grossa ficou com os prêmios de melhor ator para José Luiz Morais Garcia, (considerado uma das revelações paranaenses), de direção para Eduardo Montagnari e de iluminação para Reynaldo Soriani.

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