Um canal com o passado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de janeiro de 2001
Celso Mattos De Londrina 
Quando se fala em filmes sobre viagens ao passado, a primeira reação do telespectador é torcer o nariz. Primeiro porque este é um recurso usado à exaustão por Hollywood, basta lembrar de Em Algum Lugar do Passado e De Volta para o Futuro; segundo porque geralmente são histórias confusas e pouco prováveis. Alta Frequência não foge à regra, mas tem alguns elementos que o diferencia dos demais.
Dirigido por Gregory Hoblit, o mesmo de Possuídos, o filme traz nos papéis principais James Caviezel, que trabalhou em Além da Linha Vermelha e o veterano Dennis Quaid. A história é mais ou menos assim: um estranho fenômeno climático faz com que o jovem John Sullivan (Caviezel) possa conversar com seu pai Frank (Quaid) que morreu há 30 anos. A comunicação com o passado é feita através de um aparelho de radioamador.
John Sullivan é um policial bastante insatisfeito com a vida e parece nunca ter superado a morte do pai, um bombeiro que morreu heroicamente em serviço quando John ainda era uma criança. Ao se comunicar com o pai, ele tenta mudar o destino orientando-o a agir de forma diferente durante o incêndio. Mas infelizmente, a mudança da história traz consequências desastrosas.
Alta Frequência é um filme cheio de reviravoltas e apesar de ser uma ficção científica não se rende aos efeitos especiais. Mas o grande problema da fita é o excesso de alterações na história, o que acaba dificultando a compreensão do filme. Ao misturar um drama familiar com o ataque de um serial killer que mata enfermeiras, Alta Frequência se perde um pouco e deixa o telespectador com um nó na cabeça. Entretanto, o grante barato do filme é explorar um tema batido de forma diferente e mais humana.
Como a maioria das produções sobre viagem no tempo, Alta Frequência também não escapa de furos no roteiro: o melhor amigo de John Sullivan desaparece no meio da trama sem qualquer explicação. Lançamento da PlayArte. Duração: 118 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
DivulgaçãoFilme é um policial zen que traz algumas reflexões éticas
O Dia da Caça
Um thriller bem ao estilo norte-americano, mas com ambientação totalmente brasileira. O Dia da Caça conta a história de Nando (Marcelo Antony), um ex-traficante que é contratado para trazer 30 quilos de cocaína da Colômbia para o Brasil. Acompanhado de um travesti psicótico, ele acaba descobrindo que está no meio de uma arapuca armada por um policial corrupto. Apesar de visualmente pobre, o filme traz algumas questões interessantes sobre ética e poder.
Dirigido por Alberto Graça, O Dia da Caça é um policial meio zen, além de uma furtiva e oportuna aula de história sobre a questão do tráfico de drogas. Mas a produção carece de um ritmo mais ágil e alguns personagens são bastante caricatos, construídos a partir de clichês do cinema americano. Os melhores diálogos são os do personagem de Paulo Vespúcio, que interpreta o travesti durão e meio maluco. Lançamento da Europa em VHS e DVD. Duração: 113 minutos.
ReproduçãoGoyamostra que Saura está no auge de sua maturidade criativa
Goya
Carlos Saura é sempre uma boa surpresa. Goya seu trabalho depois de Tango, conta os últimos dias de vida do pintor espanhol Francisco de Goya. Utilizando muitas cores e luzes, o cineasta mostra o pintor recordando o tempo que passou na corte do Rei Carlos IV, quando se apaixonou pela temperamental duquesa Alba. Na verdade, a única mulher que Goya realmente amou e que morreu assassinada por razões políticas.
Além de um roteiro muito bem elaborado, Goya tem excelentes atuações, uma direção extraordinária e uma trilha sonora impecável. Mas não escapa de um certo sentimentalismo exagerado. O ponto alto do filme é bela fotografia do mestre Vittorio Storaro, vencedor do Oscar por Apocalypse Now, Reds e O Último Imperador. A fita mostra que Saura está no auge de sua maturidade criativa. Lançamento da Cannes em VHS e DVD. Duração: 102 minutos.


