Paris lançou a moda. Em seguida, outras capitais do mundo adotaram a idéia. Agora, a onda dos cafés filosóficos tenta se estabelecer em Londrina com a inauguração esta semana da primeira casa do gênero. O coquetel de abertura será amanhã às 20 horas na sala 7 do Com-Tour Shopping Center (Av. Tiradentes, 1.241).
''A proposta partiu dos alunos do curso de filosofia da UEL que, após a formatura, sentiam falta de um espaço para se atualizar na disciplina e compartilhar suas indagações'' explica o professor Leonardo Prota, 72 anos, autor da iniciativa. Prota é docente aposentado da UEL, embora continue ministrando aulas como professor convidado nos cursos de especialização em Bioética e Filosofia Moderna e Contemporânea.
Ele estará à frente do espaço dividindo responsabilidades com Gilvan Luiz Hansen e Celina Cansian. Instalado numa sala de dois ambientes, o café filosófico abrigará uma biblioteca especializada para consultas e empréstimos, além de um mezanino onde serão realizados cursos, palestras e encontros. Contará ainda, para não fugir do perfil das matrizes francesas, com um balcão de bar para servir a clientela.
''Queremos resgatar o pensamento humanista proporcionando discussões sobre problemas éticos e políticos. Toda a comunidade está convidada para conhecer o local e participar dos eventos'' diz o professor. O café leva adiante a iniciativa pioneira da Books Livraria e Locadora de Livros, que promoveu eventos esporádicos no ano passado, também sob o nome ''café filosófico''.
O local vai abrigar também as atividades desenvolvidadas pelo Centro de Estudos Filosóficos de Londrina (CEFIL) e o Instituto de Humanidades, ambos sem fins lucrativos. O primeiro, presidido por Prota de 1988 (ano de sua fundação) a 2001, foi criado com a finalidade de organizar círculos de estudos de obras clássicas de filosofia, além de incentivar os estudantes através de concessão de bolsas de estudos para cursos de pós-graduação.
Já publicou cerca de 50 livros, além de editar as revistas ''Crítica'' e ''Paradigmas''. Seus encontros sempre ocorreram em sedes provisórias, utilizando salas da UEL, do Sindicato dos Professores (Sindiprol) e até casas de alunos. Prota deixou o comando da entidade para cuidar apenas do setor de editoração. O novo presidente é o docente da UEL Gilvan Luiz Hansen.
O Instituto de Humanidades, por sua vez, foi fundado em São Paulo em 1986 e posteriormente transferido para Londrina. Congrega professores de 30 universidades brasileiras reunindo instituições do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Sua editora já lançou cerca de 60 livros, entre autores locais e de outras cidades. Prota salienta que o programa da entidade ''destaca o resgate da tradição humanista, sucessivamente abandonada pelas reformas de ensino a partir da década de 60, bem como a transformação do ensino fundamental em nível efetivamente terminal, já que hoje em dia ela foi transformada em simples apêndice do vestibular para ingresso no ensino superior''.
Autor de 27 livros, o professor aproveita a inauguração do café filosófico para lançar a coletânea de ensaios ''Refundar a Educação'', que organizou reunindo textos de pesquisadores como Simon Schwartzman, Antonio Paim e Cláudio de Moura Castro.

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