Um café, muitas histórias
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Marcelo AlmeidaDaniela Merheb, Viviane Baggio e Marília Mezzomo: historiadoras brindam a confraria com caféDaqui a dois meses - em maio - A Insana Confraria do Café sopra sua primeira velinha. A exemplo de outros estabelecimentos este poderia ser mais um bar curitibano, mas honrando o nome, o quente do cardápio é o café. Que não precisa necessariamente ser quente: ele vem para a mesa como o cliente quiser. Desde a versão mais clássica, ou em taças, transformados em drinks.
Duas historiadoras são as proprietárias da casa, Viviane Baggio e Daniela Merheb. Talvez por isso haja certa predominância de estudantes e professores de História ocupando as onze mesas (42 lugares) da confraria. A Universidade Federal do Paraná fica próxima dali.
A casa foi aberta para todos, mas é difícil passar despercebido o fato de que nestes dez meses de existência, alguns livros de História tenham sido lançados ali. Alguns de autores londrinenses. Explica-se: a Editora Aos Quatro Ventos, dedicada a essa área, mantém um acordo com o café.
Em breve a lista de sessões de autógrafos será aumentada com o volume A Prevenção da Decadência - A Medicina dos Anos 30, de Marília Mezzomo, gerente da casa. Com esta tese ela defendeu seu mestrado na UFPR.
A intenção, nem de longe, é fazer do local um point dos profissionais de História. A garota que atende às mesas, Aliciane, está no segundo ano de Engenharia Química, dizem as moças. E mais: muitos publicitários e gente das redondezas fazem parte da clientela. Aliás, uma clientela eclética, que vai desde os adolescentes aos mais idosos.
O gosto pela História pode ser sentido nas revistas e livros, à disposição do público. Uma edição de O Cruzeiro traz como reportagem de capa a morte do presidente Kennedy, ocorrida em Dallas. Outro exemplar estampa os pés de um austronauta, deixando marcas no solo lunático: O Homem na Lua.
A conquista do espaço sideral encaixa-se no mesmo número da revista que registra as primeiras fotos da Miss Universo-1969. Glória Diaz, das Filipinas, foi a vencedora. Venceu, mas não convenceu. Na platéia do Miami Beach Auditorium estavam 300 brasileiros. Desse grupo 90 eram de Santa Catarina, que foram até lá especialmente para aplaudir a Miss Brasil: Vera Fischer.
Fora do túnel do tempo o frequentador pode se divertir jogando qualquer uma das diversas modalidades de jogos, desde os popularíssimos resta um, dama e dominó até o gamão e o kallek, originário da África.
Resquícios de lembranças são captadas mesmo no cardápio. A velha banana split aqui ganhou o nome de Chiquinha Gonzaga, e a sangria Linda Lady Godiva. Os cafés são variados. Tem o tradicional francês (Café LOrage), o vienense, até receitas próprias como o Café Ana e um cappucino gelado. Massas e sanduíches complementam a lista. As saladas do verão, darão lugar a sopas no inverno.
Outro detalhe da casa: a decoração é do artista plástico Luiz Henrique Kossoski, autor de uma tela que as moçam simplesmente amam. Elas então pediram que ele pintasse as paredes com as cores do desenho. Havia um porém: o teto era muito feio e Viviane e Daniela não tinham dinheiro para mandar fazer teto rebaixado. A solução foi um revestimento com tecido de nylon, dando ares de uma tenda. O pano concentrou-se no centro e aí criou-se um vazio e um novo problema. Alguém sugeriu colocar um long playng no lugar. Foi um achado. Com as mesas e cadeiras dos anos 50, a combinação do café ficou perfeita.
A Insana Confraria do Café (Rua Dr. Faivre, 237, em Curitiba, tel. 262-7898), cafeteria que atende de segunda a sexta das 15h30 à 1h da manhã. Domingo, das 18h30 à 1h. Fecha no sábado.


