Um caçador de talentos
Ele viaja por diversos países, assiste aos mais variados espetáculos e escolhe os destaques. O canadense Don Shipley, diretor artístico do Festival Internacional de Teatro de Toronto (Maurier World Stage Theatre Festival), é um talent hunter (uma espécie de olheiro cultural), que esteve no Brasil no mês passado acompanhando o 8º Festival de Teatro de Curitiba (FTC).
O objetivo de Shipley, que dois anos atrás já esteve no evento, é levar espetáculos brasileiros para o Canadá. É de fundamental importância estar aqui para conhecer coisas novas, o que está acontecendo no momento. Por isso tenho que estar em festivais como este, disse Shipley.
Para ele, participar de um festival como o de Curitiba é como medir a temperatura da comunidade artística naquele momento. Acho que os festivais que destacam o teatro são muito importantes para seus países, não só para celebrar conquistas artísticas, mas para que os artistas se inspirem uns nos outros. Além disso, o diretor avalia a importância de cada festival pela conquista de seu próprio espaço e constante crescimento. O Fringe (mostra paralela do FTC) é um passo importante nessa direção. E o excitante neste festival é que ele é aberto a novas experiências artísticas, observa.
Shipley diz que a variedade de peças apresentadas no FTC permite ao público ter acesso desde a espetáculos experimentais até os mais populares. É uma grande conquista realizar um festival dessa envergadura. Mas o principal mérito é permitir aos artistas correrem riscos com novos trabalhos, diz. Ele acha que a maioria dos festivais do mercado apresenta principalmente trabalhos aprimorados, que já estão elaborados, polidos e vêm de longas turnês. Na opinião de Shipley, um festival deveria aglutinar as duas coisas.
O diretor frisa que no Brasil - e particularmente no FTC - o apoio do governo e da iniciativa privada é fundamental, principalmente em épocas de crise. É importante - no mundo todo - que ambos continuem apoiando de forma significativa. Isso traz benefícios para os dois lados.
Sobre os espetáculos que viu nesta edição do evento curitibano, Don Shipley diz ser muito cedo para ter uma avaliação do que vai levar para Toronto. Isso depende de vários fatores, como despesas, tamanho do espetáculo, agenda do grupo, pondera. Meu gosto pessoal tende mais para os trabalhos contemporâneos, mas eu também gosto desse leque oferecido pelo festival, que vai de Alice Através do Espelho a Roberto Zucco, passando pelo Crime do Dr. Alvarenga, avalia.
Para o último Festival em Toronto, no ano passado, o diretor levou o grupo brasileiro Galpão, com o espetáculo Rua da Amargura. Também já levei companhias de dança brasileiras, como Débora Colker e o Grupo Corpo, conta. O evento de 98 recebeu ainda companhias da Irlanda, África do Sul, Inglaterra, Chile, Lituânia e Canadá. O Festival de Toronto é realizado a cada dois anos pelo Harbourfront Centre.
Don Shipley diz apreciar muito o trabalho artístico desenvolvido no Brasil, sem contar o grande senso de estética e design das montagens nacionais. Em termos de linguagem, ele assume não compreender muito bem o que é falado em cena. Mas um bom espetáculo, com bons atores e boa direção, costuma ser bom em qualquer lugar. Se eu gosto do trabalho, vou atrás da tradução do texto, explica. Shipley lembra, ainda, que quando os espetáculos brasileiros vão para Toronto, as apresentações são feitas em português - já que lá existe uma grande comunidade da língua portuguesa. É bom para os dois países contar com esse intercâmbio.
Durante o Festival de Curitiba, Don Shipley demonstrou interesse em participar também do Festival de Londrina (FILO), evento que começa no final deste mês, com a Mostra Regional/Nacional. Portanto, ainda em 99, Shipley poderá voltar ao Brasil.ReproduçãoDon Shipley não descarta a possibilidade de visitar também o Festival Internacional de LondrinaJackeline Seglin





