Um caçador de películas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Rafael Ceribelli`<br> Reportagem Local 
A vida do produtor cultural Edison Mineki bem que poderia virar filme: descendente de pai japonês e mãe italiana, o paulistano Mineki - nascido e criado no bairro da Liberdade - saiu do Brasil para tentar a vida no Japão em 1996, como operário em uma fábrica.
Sem nunca esquecer as suas raízes e a paixão pela cultura de seu país, em pouco tempo o dekassegui largou o emprego nas fábricas e dedicou seus esforços para promover eventos e shows que homenageassem o Brasil em terras estrangeiras.
Depois de trabalhar por alguns anos com um programa de rádio dedicado à música brasileira, Mineki, com o objetivo de disseminar sementes verde e amarelas no outro lado do mundo, criou em 2005 a produtora Tupiniquim Entertainment e fundou o Festival Cinema Brasil, que hoje está em sua 6 edição e é o maior evento audiovisual de produções brasileiras de todo o Continente Asiático.
Espalhado pelas cidades japonesas de Tokyo, Osaka, Hamamatsu e Kyoto, o mega-festival teve uma ascensão meteórica de público e crítica nos últimos anos, exibindo filmes brasileiros de destaque. Os longas são escolhidos pelo próprio Edison Mineki, que viaja entre os principais festivais de Cinema no Brasil e seleciona o conteúdo para a próxima edição de seu festival.
Na semana passada, o produtor cultural esteve em Londrina para conferir a programação da 12 Mostra Londrina de Cinema, e falou com exclusividade para a FOLHA sobre o intercâmbio entre o cinema brasileiro e o asiático, seus planos para o futuro do Cinema Brasil e suas impressões sobre a Mostra em Londrina.
Folha de Londrina: O festival Cinema Brasil já está em sua 6 edição. Como surgiu a ideia de fazer um festival que privilegiasse o cinema brasileiro em terras nipônicas?
Edison Mineki: A ideia surgiu desde 1996, porém, na época, o cinema nacional brasileiro ainda vivia os primeiros passos da Retomada, e tivemos muita dificuldade de implantá-lo aqui no Japão. Depois, com o grande apoio de uma empresa de telefonia internacional, conseguimos realizar a primeira edição do Festival Cinema Brasil em 2005.
Quais são, em sua opinião, as principais diferenças entre os filmes produzidos atualmente no Japão e as películas brasileiras?
Mais do que as diferenças, creio que existe uma similaridade dessa nova geração. Os temas, com enfoque nas relações humanas e familiares, são a tônica nas recentes produções.
Qual tem sido a resposta do público japonês aos filmes feitos no Brasil?
Muito receptiva, mais de 80% do nosso público é formado por japoneses nas faixas etárias de 20 a 50 anos com predominância feminina. Os japoneses estão literalmente descobrindo o cinema brasileiro. As principais referências até o início das edições do Festival eram as obras ''Orfeu Negro'', ''Central do Brasil'' e ''Cidade de Deus''.
Você viaja entre os festivais brasileiros para selecionar filmes que deseja levar para o Japão. Como é feita essa curadoria?
Basicamente selecionamos as obras que possam ter mais chances mercadológicas no país, independente dela ter ou não conquistado uma grande bilheteria no Brasil. Também recebemos amostras para apreciação de longas-metragens através do endereço [email protected].
Recentemente, você esteve em Londrina para participar da 12 Mostra de Cinema. Qual foram suas impressões sobre a organização da Mostra?
Como organizador de um festival, sei o quanto é difícil realizar um evento cinematográfico. Os organizadores da Mostra Londrina têm até mais trabalho do que eu, porque eles possuem, comparativamente, o dobro do número de exibições. Gostei muito da seleção dos filmes e da dedicação e esforço de toda a equipe da Kinoarte. Eles estão mesmo de parabéns!
Qual é sua opinião sobre os filmes exibidos na Mostra em Londrina? Achou alguma coisa interessante para levar para o Festival Cinema Brasil?
Quando recebi o convite para participar da 12 Mostra Cinema de Londrina, o nosso line-up de 2011 já estava praticamente fechado. Infelizmente, estamos atravessando um período sabático com obras no formato de curta metragem. Para aqueles que tiverem interesse de exibirem seus curtas no Japão, eu aconselho a tentarem participar do ''Short Shorts Film Festival'', o principal festival competitivo de curtas da Ásia: o site é http://www.shortshorts.org/index-en.php.
Durante esses seis anos, o festival Cinema Brasil cresceu, e hoje é realizado em quatro cidades japonesas diferentes. Quais são as expectativas para o futuro?
Planejamos expandir para mais algumas grandes capitais e, em um futuro breve, ampliar a gama de formatos. A edição do festival em 2011 acontecerá entre os meses de outubro e novembro. A novidade será que vamos realizá-lo em, pelo menos, mais uma cidade aqui do Japão.


