Em dezembro de 1989 o maestro Maximianno Cobra acabara de completar 20 anos, quando regeu um disputado e elogiado concerto inaugural da Orquestra Filarmônica Brasileira, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi nessa noite que ele mostrou a que viera, apresentando um festival Beethoven, com solo do pianista Nélson Freire.
Sete anos depois, Maximianno Cobra é um nome respeitado na Europa. Desde meados de 1996 ocupa a cadeira de ‘‘Classe d’orchestre’’ do Conservatório Nacional de Paris, uma das instituições mais importantes do continente.
É também o diretor musical da Orquestra do Conservatório e maestro convidado - numa colaboração constante - da Ópera Nacional da Hungria, fundada há mais de 150 anos, e da Orquestra Filarmônica de Budapeste.
Sob sua regência estão marcados concertos em Londres, Budapeste, no Conservatório de Paris, e master-classes que dará em festivais de verão na Europa.
Honraria Cobra é o segundo brasileiro a assumir um posto de docente no Conservatório de Paris em toda a sua história. A primeira a ter essa honraria foi a pianista Magdalena Tagliaferro, quando já gozava de renome internacional. Aos 27 anos está lá o carioca que tem no maestro Alceo Bocchino seu ‘‘pai musical’’.
Como professor da classe da orquestra, compete ao maestro preparar os instrumentistas que entrarão nas orquestras francesas. Sobre seu trabalho com os alunos, ele cuida de formações específicas para cada grupo, e para cada repertório desejado.
‘‘Dentro do meu projeto dou oportunidade ao aluno de ter contato com pequeno grupo de câmara, que pode ir da ótica barroca, passando pelo pré-clássico e classicismo até o conjunto sinfônico romântico, chegando à música contemporânea’’, explica.
Maximianno Cobra tem por objetivo desenvolver um trabalho a longo prazo com os alunos, visando atingir três metas principais para a orquestra: o equilíbrio, a homogeneidade e a identidade sonora. Para conseguir o que deseja será preciso dedicação intensa com ensaios parciais de cada naipe. É uma atividade exaustiva, mas é assim que deve ser feito, entende o maestro.
Quando embarcou para a Europa haveria um sonho não-declarado de atingir um posto como este? Cobra responde que não - em termos. ‘‘A este posto específico, não. Primeiro porque na Europa existe o tabu da idade, que é muito presente em praticamente todos os países europeus. Então pensei que outras coisas pudessem acontecer antes de assumir uma cadeira de tamanha importância’’.

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