Um brasileiro chamado Tom
Um brasileiro chamado Tom
Há oxigênio na casa?. Foi assim entre a brincadeira e a seriedade que Tom Jobim pediu socorro ao terminar de cantar Águas de Março. De difícil interpretação e sabidamente um novo clássico da música brasileira, pelo próprio autor, a música teve sua estréia num compacto simples do Pasquim, o jornal que tanto incomodou militares e companhia, nos anos 60.
Do estúdio o ponto seguinte foi um bar, onde entrou com os amigos e de lá saiu às seis horas da manhã. Assim as águas de março começaram a transbordar. Esta é uma das muitas histórias reunidas ao longo da vida de Tom, que se estivesse vivo, teria completado 71 anos domingo passado.
Antonio Carlos Jobim - Uma Biografia, de Sérgio Cabral, dedica-se a desvendar toda a trajetória de um dos maiores compositores do mundo. Nascido na Tijuca, virou celebridade mundial e foi reverenciado, entre os grandes músicos de nosso tempo, por ninguém menos que Frank Sinatra.
Mas o fato de nunca ter conhecido o pai - morto em 1936, aos 46 anos de idade -, que se separara da mãe quando Tom ainda era muito pequeno, marcou-o por toda vida. Diversas vezes viria a dizer à irmã Helena: Somos filhos de um lar destroçado.
Se nem tudo são flores, também não se vive somente de espinhos. O sucesso para Tom chegou cedo. Acabara de entrar na casa dos 30 anos e já era um compositor consolidado na fama. De 1959 são alguns dos clássicos como As Praias Desertas; e em parceria com Vinícius de Moraes Chega de Saudade, Canta, Canta Mais, Estrada Branca. Com Aloísio de Oliveira compôs Dindi, que também chegou ao disco nesse ano.
Outros clássicos viriam no correr dos anos, e com eles a fama e o respeito cada vez com maior ostentação. Recluso, dado a gostar de bichos e árvores, a purpurina mundana não tinha muito a ver com Tom, um homem obcecado pela privacidade, como escreveu o New York Times.
Pois foi esse homem de hábitos simples, bem humorado e autor de dezenas de pérolas da música brasileira que deu origem ao livro de Sérgio Cabral. Com caprichosa edição da Lumiar Editora, repleto de fotografias e um mergulho fundo na existência de Jobim, traz junto as cores brasileiras. Não podia ser diferente para quem cantava sua terra e tinha Brasileiro no sobrenome.
(Z.C.L.)





