Numa das primeiras edições do Festival de Teatro de Curitiba, um musical dedicado a Pixinguinha recebeu nota máxima do público em todas as apresentações. Se as aferições junto ao público fossem feitas ainda hoje, com certeza ‘‘Um Bonde Chamado Desejo’’ seria uma nova unanimidade. A diferença crucial é que o espetáculo anterior misturava encenação teatral com a música do genial compositor. Agora, a aclamação viria para o puro teatro, drama levado ao limite das existências. Com ou sem pesquisas de popularidade, o que vale é que o Teatro do Paiol teve todas as lotações esgotadas, com o público brigando por ingresso. O ideal seria um espaço maior, como o Guairinha.
‘‘Um Bonde Chamado Desejo’’, clássico já visto no cinema, mantém um constante desafio para quem quiser realizá-lo pela história que ele traz de montagens exuberantes. A essa história junta-se esta, milimetricamente perfeita. Leona Cavalli (Blanche Dubois) e Milhem Cortaz (Stanley Kowalsky) encabeçam um elenco brilhante, que com paixão, talento e respeito - à obra, ao público, aos deuses teatrais - construíram no palco um momento inesquecível. A direção de Cibele Forjaz é exuberante. Quando, no futuro, se fizer referências ao FTC, será mais que justo lembrar e enaltecer a montagem de ‘‘Um Bonde Chamado Desejo’’. (Zeca Correia Leite)

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