Um basta nos vilões
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Mariana Trigo<br> TV Press 
De seu 1,92 m de altura, Dalton Vigh tenta camuflar uma insistente timidez. É sucinto em sua fala baixa e pausada ao dissecar os 14 anos de carreira na tevê. Acostumado a fazer vilões como Ferraço, o ator teve pouco tempo para construir o Otávio, o médico boa-praça que entra em Negócio da China para disputar a atenção da bela Lívia, de Grazi Massafera.
Como você reagiu ao ser chamado para entrar em Negócio da China?
Fiquei muito surpreso. Não estava contando com um convite tão inesperado. Meu ponto de partida e única referência foi meu clínico geral, que também é cardiologista. Resolvi deixar o Otávio mais gente boa, um cara que sabe fazer piada, brincar com as pessoas, assim como meu médico.
Quando você acabou de viver o Clóvis, em O Profeta, disse que não queria um vilão tão cedo, mas apareceu o Ferraço. O fato de agora ter sido chamado para um mocinho foi o que mais o motivou?
O Ferraço era um personagem maravilhoso, foi o papel mais marcante na minha carreira. Ele tinha uma história. Era um personagem tridimensional, não era só o vilão e ponto final. Tinha um porquê em suas maldades. Era um personagem muito sério, agora é um respiro fazer um cara legal, bem-humorado.
Mas Negócio da China está com uma das audiências mais baixas do horário, 20 pontos de média. Isso deixou você receoso em algum momento?
Isso não diz nada para mim. O que conta é o personagem, o trabalho em si. Para mim, essa profissão é meio que uma brincadeira, um grande faz-de-conta. A audiência para mim é indiferente. Recebo o mesmo salário com audiência boa ou ruim.
Você já atuou em várias emissoras. Que diferencial isso traz para você como ator?
Me trouxe jogo de cintura para saber as limitações de cada empresa. Quando vim para a Globo, não senti a pressão de entrar na emissora número um do Brasil. Entrei com uma bagagenzinha.
Você já atuou em tipos diversos, como um frade, um caubói e um inquisidor. Você ainda sente limitações na carreira?
O problema é como as pessoas enxergam você. Sei que o meu tipo físico vai me limitar para alguns personagens. O bacana da minha carreira é poder enveredar por caminhos diferentes e, sempre que possível, vou tentar fazer com que isso aconteça. Adoro trabalhar com caracterização, por exemplo, que foi o caso do Adalberto em Duas Caras. O bom dessa profissão é poder ser várias pessoas. Adoraria interpretar o Hommer Simpson, por exemplo (risos).


