UM BALÉ INTIMISTA
Grupo mexicano mostra ‘‘Obra Reciente’’ em Londrina: uma mostra atemporal de imagens e emoções
Jackeline Seglin
DivulgaçãoO grupo Delfos em cena:
coreografias
tratam do amor,
do prazer e
dos conflitos
humanosNada de grandes espetáculos. O grupo mexicano Delfos Danza Contemporánea traz para o Festival Internacional de Londrina (Filo) uma montagem intimista, na qual as relações entre personagens são fundamentais. Hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde, os sete bailarinos da companhia apresentam ‘‘Obra Reciente’’, uma passagem atemporal por emoções e imagens diversas que tocam o espectador intimamente, revelando um mundo comum a todos.
As cinco coreografias, que tratam diferentes temas, foram criadas através de uma observação introspectiva da dança. Na primeira, ‘‘Anónimos’’, cinco personagens vivem num mesmo espaço e são incapazes de transcender suas próprias fronteiras. ‘‘Imaginariamente, as personagens estão presas em corredores de um castelo. A coreografia mostra a luta por querer sair desse espaço’’, conta Victor Ruiz, diretor e um dos fundadores do grupo.
Em ‘‘Cariátide’’, o grupo explicita a luta contra os deuses. Uma mulher tentando esquecer seu passado e enfrentar seu destino: ser transformada em pedra pelos deuses. A gula é o tema de ‘‘El Banquete’’, a terceira coreografia. Recheado de humor negro, este número trata do canibalismo amoroso. ‘‘São três mulheres gordas e um marinheiro (o prato forte). A luta é pela conquista do prazer do homem’’, explica a bailarina Cláudia Lavista.
‘‘Del Amor y Otras Barbaridades’’ mostra diferentes relacionamentos: homossexual (masculino e feminino) e heterossexual. ‘‘É a eterna luta entre o amor e o desamor’’, diz Cláudia. ‘‘O mais importante dos conflitos é o amor. A idéia central é a recuperação do amor, o resgate dos valores do casal’’, completa Victor.
A coreografia ‘‘Catulli Carmina’’ encerra o espetáculo revelando o amor e a sexualidade da juventude. Neste número, há o encontro do masculino e do feminino, o jogo, os conflitos entre homens e mulheres. ‘‘A música fala de erotismo. São versos sobre os prazeres carnais ocultos’’, define Cláudia.
O diretor Victor Ruiz comenta que em todo o repertório do grupo eles abordam muito a relação humana, entre casais. ‘‘Mas falamos sobre outros temas, como a morte. E temos também uma obra infantil.’’
Segundo Ruiz, o Delfos quer que o público conheça as diversas facetas do grupo: ‘‘Recebemos várias influências. E estamos influenciados por tudo o que buscamos’’.
O Delfos foi fundado em 1992, mas o grupo já tem um repertório com 25 coreografias e mais de 300 apresentações, inclusive na Colômbia, Venezuela, Bolívia, Grécia, Estados Unidos e Brasil. O grupo também ganhou vários prêmios, entre eles, o 12º Prêmio Nacional de Danza e o segundo lugar no Prêmio Intercontinental de Dança Contemporânea do México. ‘‘Obra Reciente’’, o espetáculo mais recente, estreou em 1994.
- ‘‘Obra Reciente’’, espetáculo com o Delfos Danza Contemporánea, do México. Hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde. Direção: Victor Ruiz. Assistente de direção: Cláudia Lavista. Bailarinos: Georgina Gutiérrez, Cláudia Lavista, Ester Lopezllera, Augustin Martinez, Omar Carrum e Mario Alberto Frias. Ingressos a R$ 10,00 (estudantes, idosos e funcionários da Universidade Estadual de Londrina pagam meia).

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