Um balanço do Festival de Curitiba
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terça-feira, 01 de abril de 2008
Equipe da Folha 
Nesta 17ª edição do Festival de Curitiba, que se encerrou no último domingo, boa parte dos espetáculos da mostra oficial se mostrou com qualidade satisfatória, dentro da média. Alguns conquistaram um destaque maior, como o musical ''Beatles Num Céu de Diamantes'' e a comédia burlesca ''Farsa'', ambas representantes do filão de maior apelo popular da grade de programação. Numa linha mais artística, ''Salmo 91'' e ''O Natimorto - Um Musical Silencioso'' também se destacaram.
Para quem procurava boas apresentações de dança, apenas 'Cruel'', de Déborah Colker, foi gratificante. Os demais ''Metegol'' e ''Júpiter'', sem uma técnica apurada, decepcionaram. ''Júpiter'', no entanto, foi uma ótima pedida para quem buscava um bom show de humor.
Para a classe artística, o que faltou mesmo foi um maior número de espetáculos preocupados com a pesquisa de linguagens cênicas. Neste ponto, ''Aqueles Dois'' e ''Vestido de Noiva'' foram os mais elogiados. Este última sofreu um imprevisto imperdoável: o projetor do teatro pifou, obrigando a companhia a cancelar a primeira data, que foi transferida para o dia seguinte.
Os imprevistos acabaram ganhando mais projeção do que alguns espetáculos. A ausência de Gerald Thomas devido a um mal explicado problema de logística implicou no cancelamento de uma palestra e de um de seus espetáculos. Outro episódio ocorreu no Fringe, quando um homem apontou uma arma para atores da peça ''O Abajur Lilás'' durante a feira de artesanato do Largo da Ordem.
O Fringe, aliás, continua sendo uma loteria. Quem acompanhou apenas a mostra paralela nem sempre saiu com boa impressão. Uma comunicação do festival anunciava que o Fringe tinha peças tão boas quanto as da mostra principal. O problema era descobrir quais eram estas peças. Bons exemplos eram ''Negrinha'', ''Herói'', ''Noivas de Nelson'', ''Henfil, Já!'' e ''O Avental Todo Sujo de Ovo''. Mas geralmente quando os elogios começavam, o espetáculo já havia saido de cartaz. E o fato da bilheteria oficial se localizar em um local afastado, e com grandes filas, foi outro fator que prejudicou as companhias pequenas.
O diretor do evento, Leandro Knopfholz admite os erros. ''Os erros deste ano, nós vamos jogar no planejamento do ano que vem para que eles não voltem a acontecer'', explica. Um ponto positivo foi que nesta edição não havia aqueles longos vídeos dos patrocinadores antes das peças. O projeto Residência das Artes também foi destaque, levando teatro para uma comunidade da periferia.
Segundo a assessoria de imprensa do fetival, neste ano foram agendados 283 espetáculos (incluindo 23 do Fringe que foram cancelados), com 180 mil ingressos à venda. Destes, 80% foram vendidos. Neste número não está incluso o público que assistiu aos espetáculos gratuitos na rua.


