Um balanço comemorativo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de setembro de 2000
Rubens Pileggi Sá De Londrina Especial para a Folha2 
Depois de um ano de vida desta coluna que começou em setembro do ano passado, as discussões sobre estética e história da arte têm despertado reações que nos fazem entender quanto trabalho ainda é possível desenvolver pela frente, falando de arte e das discussões feitas em artes plásticas hoje, seja no Paraná, seja no resto do mundo.
Nosso intuito, desde o começo, foi o de desenvolver raciocínios em torno de questões sobre a pertinência da ligação entre arte e vida, principalmente aquela que se dá depois da segunda metade do século 20 até agora.
Analisar os limites desse território em relação à filosofia e à ciência também tem sido uma das preocupações mais pertinentes ocupadas neste espaço semanal. Assim, lançamos mão de vários textos, das mais diversas áreas, na tentativa de conceitualizar e contextualizar as diferentes visões sobre o assunto.
Em relação à arte propriamente dita e às artes plásticas, particularmente, o privilégio tem recaído sobre autores que desenvolvem suas poéticas sem se prender a suportes ou meios específicos, como pintura de telas, desenhos ou esculturas tradicionais, mas sobretudo àqueles cuja linguagem foge à representação de temáticas figurativas, que questionam o formalismo acadêmico como visão absoluta de criação artística, que trabalham com conceitos e idéias, acima de qualquer virtuosismo técnico.
Os exemplos que temos mostrados nesta coluna, não estão vinculados a uma visão de arte como produto ou mercadoria feita para exibição em galerias ou museus, ou então a conceitos abstratos estranhos ao entendimento e à função da arte. Aqui, a sensibilidade da visão poética é o maior critério da seleção de artistas e trabalhos publicados até agora. Os exemplos foram recolhidos de obras que foram criadas tanto para o espaço interno, privilegiando uma contemplação mais concentrada, quanto para ambientes ao ar livre, com duração determinada, valendo, muitas vezes, apenas o registro da obra pronta como documento e validade de seu processo criativo. Sobretudo, o material exibido deve ser um agente capaz de comentar e dialogar com a realidade, exigindo reflexões críticas e ativas por parte do público.
Arte indígena, arte negra, foto-criações, ações, performances, instalações, arte conceitual, ambiental e eletrônica. A coluna Alfabeto Visual tem sido um liquidificador de linguagens e tendências, buscando levar ao debate a responsabilidade que a arte tem na formação da cidadania, visando a educação da sensibilidade e da percepção humana, para a preservação e resgate da vida através de uma visão ética e estética do mundo.
De Malevicht (quadrado branco sobre fundo branco, de 1917) a Yiftah Peled (atualmente expondo no Centro de Artes Maria Antonia da USP, em São Paulo), nossa proposta é buscar os exemplos tanto na história da arte já consagrada universalmente, quanto naquela que se está fazendo hoje, inquieta e contemporânea, sejam elas criadas no meio de qualquer tribo, de indígenas ou ciberpunks, no Paraná e no mundo.
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