Um autor para jovens
Um autor para jovens
A idéia de lançar dois textos inéditos no Brasil de Alexandre Dumas surgiu meio que por acaso para Paulo Schimit. Segundo ele, havia acabado de assistir ao filme Rainha Margot, baseado na obra de Dumas, quando viu o livro em francês, em uma livraria de São Paulo. Como havia gostado muito do filme, comprou o livro. E se empolgou com a história clássica, escrita em 1844.
Quando resolveu começar a editar livros, Rainha Margot foi sua escolha lógica. Eu não sei, até hoje, por que as grandes editoras não o publicaram antes. Principalmente aproveitando o gancho que o cinema forneceu. Sorte minha, diz. Outra vantagem na escolha dos títulos Rainha Margot e O Homem da Máscara de Ferro é o fato de ambos já terem caído em domínio público, não sendo necessário pagar direitos autorais. Este foi também um dos motivos, mas não o principal. O principal é que são textos de excelente qualidade e enriquecedores culturalmente. E que podem nos ajudar a consolidar nossa estrutura, paulatinamente, explica.
Os dois títulos foram também as duas primeiras traduções que Schimidt fez nesta área. Já tinha traduzido outras coisas, tipo artigos e ensaios, mas pequenas em comparação com estes livros. E posso garantir que foi uma experiência laboriosa, garante.
Segundo ele, transpôr a linguagem de um autor francês do século passado para uma linguagem acessível ao leitor contemporâneo, mantendo a intenção original é extremamente trabalhoso. É preciso analisar a cada passo até onde mexer para continuar fiel ao que o escritor quis dizer. Traduzir é ser fiel ao autor e ao leitor, afirma.
Para ele, a maior dificuldade é conhecer o contexto histórico e social daquela obra. Termos coloquiais são passíveis de se encontrar um equivalente em português. O problema são sutilezas de contextos que podem passar despercebidos para quem conhece apenas o idioma, diz.
Para quem não está familiarizado com a época e/ou local, o ideal seria, segundo Schimidt, fazer uma pesquisa. Só assim é possível fazer uma tradução fiel e adequada, explica. Além disto, é preciso ter em mente, segundo ele, o público para qual o texto é dirigido. No caso de Dumas, diz, foi preciso levar em conta também que, embora clássico, é um autor de entretenimento. O apelo popular dele era muito forte. Ele escrevia para os jovens. Seus personagens são sempre jovens, empreendedores, analisa.





