O tom de arraial que vai reinar no Solar do Rosário amanhã, nada tem a ver com a moda country, amargando o destino tupiniquim de querer copiar a cultura alheia, reproduzindo-a aqui. A intenção é mais autêntica - o cenário casa-se com as pinturas de Corina Ferraz, que tem por tema o sertanejo.
A artista selecionou cerca de 30 obras, a maioria acrílico sobre telas. Alguns trabalhos foram produzidos diretamente na madeira. O caipira e tudo que gira ao seu redor ganhou espaço e cores na criação da pintora. Quando fala da mostra ela deixa claro que não são lembranças de um tempo idílico, nada de registros autobiográficos.
Mesmo tendo nascido em Andirá e passeado na praça nas noites domingueiras, ainda assim sua gente caipira é aquela captada das leituras, das observações, de pesquisas. Corina está sempre atenta a eles quando vendem seus produtos na cidade: raízes, folhas, cascas de árvores.
Os personagens não se encaixam nos sem-terra que desafiam policiais e fazendeiros. Estes postos em linhas e cores são ricos de tradição, dão continuidade ao folclore e às lendas dos antepassados, tem uma filosofia própria, são sábios.
Há dois anos Corina desenvolveu outro projeto, somente da vida no circo. Agora é a vez dos interioranos. Há quem veja sua produção como arte ‘‘naife’’. A autora descarta a definição: ‘‘Não faço arte popular, faço arte contemporânea’’.

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