O intérprete de Ramiro, em ''Caminho das Índias'' continua com o mesmo ar seguro e reservado do início de carreira mas a identificação do ator com seus personagens mudou. Humberto Martins sente que a intensidade dramática da nova fase chegou em decorrência da idade e da experiência profissional. E principalmente depois de abandonar os tipos machões e descamisados que interpretou. O caminho tem dado certo. Seus papéis têm tido mais destaque dentro das tramas.

Na pele de Ramiro, Humberto tende a se mostrar como um profissional em processo de descoberta, que gosta de entender todos os pontos de seu personagem. ''Não quero defender ninguém nessa história. Ele faz manobras, é capitalista. Podem falar mal dele sem problemas'', afirma.


O Ramiro é um personagem com uma carga dramática forte....
Digo sempre que o Ramiro é um mistério a ser descoberto. E a cada leitura que faço dele, vou descobrindo uma nova história, um novo sentimento, o que é maravilhoso em um personagem. Essa postura autoritária e arrogante é difícil de ser trabalhada. Mas esse momento da história da loucura do filho é o caos dele. E é isso que tenho de mostrar na novela, é o ponto alto do personagem, com um drama puramente verdadeiro.

É isso que tem motivado você?
Com certeza. Fico gelado na hora em que estou gravando. Já pensei que isso poderia acontecer com um filho meu e é uma dor muito grande. Isso é uma história de vida, que muitos devem ter por aí. Não pode ser feito de qualquer jeito. Fico imaginando quantos Ramiros e Tarsos têm no mundo. Não é superficial. Preciso trabalhar muito para que tudo saia do jeito que quero.

Nos início dos anos 90, você ficou marcado por galãs. Como saiu desta fase?
Foi uma mudança natural na minha carreira, que teria de acontecer mais cedo ou mais tarde. Acho que existem épocas e isso tudo se modifica. Já estava indo para uma idade que não tinha mais condições de me botarem de camiseta ou sem ela. E para que quero isso? Para me chamarem de coroa exibido? Estou fora mesmo.

Nesses seus 20 anos na tevê, o que mudou profissionalmente?
Acho que passei a ser mais respeitado, pois já fui tratado de maneira muito desigual. Tive de mostrar do que eu era capaz. O que me preocupa é ter um bom trabalho, fazer um trabalho em equipe, ao lado da autora, da produtora, da maquiadora. Sempre fiz tudo em conjunto, desde que cheguei aqui.

Já passou pela sua cabeça trabalhar atrás das câmeras?
Por muitas e muitas vezes pensei em ser diretor. Na verdade, já era para eu estar dirigindo. Até porque, tem tantos diretores por aí e que talvez não tenham a metade da experiência que já tive. Mas se for dirigir, não será para fazer qualquer coisa. Já rolaram convites aqui mesmo na emissora, mas não aceitei. Deixa eu ficar no meu canto, por enquanto. Tenho muito o que aprender também. Minha carreira ainda está na metade.

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