Um Ato de Liberdade
Com títulos como O Último Samurai, Diamantes de Sangue e o mais antigo Tempos de Glória, o prolífico diretor, roteirista e produtor Edward Zwick se revelou um bom contador de histórias, com certo toque crítico na vertente sócio-política e com correta harmonia entre texto, imagem e interpretações. Um Ato de Liberdade, em lançamento na cidade (confira a programação na página 2), é um passo a mais nesta trajetória que separa Zwick da mesmice da corriqueira produção despersonalizada.
O argumento do filme é sobre discutido episódio histórico envolvendo brigadas motorizadas alemãs a caminho de Moscou. Na trajetória, elas passavam por território polonês propício à formação de guerrilhas, que fustigavam o avanço das tropas. Aqui se conta as aventuras dos irmãos Bielski, polacos sobreviventes do extermínio na então Rússia branca. Os jovens fugiram para os bosques e se tornaram guerrilheiros ao lado dos resistentes russos. Em torno deles foram se agrupando centenas de refugiados. Cerca de mil sobreviveram à guerra para contar uma história quase desconhecida e com matizes heróicos.
Um dos aspectos curiosos da narrativa é a diversidade de perspectiva. Os enfoques bélicos dos dois grupos de guerrilheiros diferem. Um, russo, mais duro, militar, em contraste com o outro, mais humano, dos poloneses. Duas visões de mundo e da guerra. Por outro lado, a base histórica do relato é ainda hoje muito discutida porque não totalmente esclarecida: os judeus poloneses tomaram parte ou não na matança do povo Naliboki ?
Fraternidade universal, paixões humanas com inequívocas ressonâncias bíblicas, fome, doenças, envolvimentos afetivos. Com esses ingredientes, Zwick sabe como imprimir vitalidade à trama, enriquecendo seu conteúdo com ressonâncias humanistas. Assim, este andamento livra Um Ato de Liberdade de certos enfoques mais comuns e impedem que o filme se imobilize no catálogo de gênero bélico, exclusivamente constituído de clichês.
Visualmente, a impecável fotografia do português Eduardo Serra afasta certo risco de monotonia com a presença constante dos bosques de bétula. E encontra na bela partitura de James Newton Howard um parceiro mais que à altura na harmonização de complicadas sequências de guerra. No elenco, os destaques são Daniel Craig e Liev Schreiber, ambos com interpretações eloquentes e matizadas.





