Os palhaços estão no palco para fazer a alegria da criançada. E para mostrar as habilidades do artista que sabe contracenar com o público, atuando de maneira despojada e precisa. Que sabe cantar, dançar, imitar. E fazer rir. Aos 78 anos, o artista Ricardo Queirolo o palhaço Picolino relembra uma experiência de muito tempo: dirigir e encenar uma pantomima cômica circense.
Para contar a história ''Picolino e os Fantasmas'', Ricardo Queirolo sobe hoje ao palco do Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina, junto com os atores Fernando Góes, Luís Henrique, Roberta Nigro, Maria Amélia Melo e Sérgio Mello. O espetáculo é um projeto de resgate da cultura circense, que busca vasculhar o passado e trazer à tona um sentimento que não pode ser esquecido: a alegria do palhaço. Foi com esse objetivo que a trupe entrou de cabeça na montagem dessa comédia, que entra em temporada hoje.
''Picolino e os Fantasmas'' tem roteiro e direção geral assinados por Ricardo Queirolo, que fez questão de alinhavar todos os detalhes para o espetáculo do figurino à performance no palco-picadeiro. A montagem traz de volta as antigas brincadeiras dos palhaços de circo, como a do objeto que se move ''sozinho'' e a da comida que ''misteriosamente some'' do prato.
A história contada nessa pantomima é a de um empregado (Picolino) que só atrapalha a vida do dono da casa (o Velho, interpretado por Fernando Góes). Um dia, chega à casa um rapaz (o Galã, Luís Henrique) que responde ao anúncio de emprego colocado no jornal. Na verdade, o moço queria mesmo é namorar a filha do velho (Mocinha, Roberta Nigro). A trama se desenrola quando o moço desmascarado é expulso da casa e jura vingar-se. Aparecem então ''os fantasmas'' (a caveira, Maria Amélia Melo, e o morcego, Sergio Mello) que vão assombrar Picolino. ''É um espetáculo infantil, sem pornografia e sem violência. Intercala momentos de alegria e suspense, mas sem assustar. É uma montagem inteiramente para crianças, o que hoje em dia é muito difícil de encontrar'', sinaliza Queirolo.
Desde maio, quando iniciaram a montagem, os integrantes do projeto têm se reunido duas vezes por semana para trocar idéias e experiências. Ricardo Queirolo conta que voltar ao palco foi fácil por estar ao lado de jovens atores. ''Todos esses moços são formados e espertos. A gente ensina e eles aprendem muito rápido. Ensinei tudo o que diz respeito à arte de divertir crianças. E aproveitei as aptidões de cada''.
Os cinco atores (ex-integrantes dos projetos Plantão Sorriso e Circo de Palhaços) que contracenam com Queirolo garantem que o trabalho tem levado sempre a uma descoberta maior. ''Ele (Queirolo) tem o tempo certo das piadas. Mesmo fazendo as mesmas graças, sempre damos risadas'', diz Luís Henrique. ''E ele nos dá liberdade de inovar a cada apresentação. Com isso, a gente se envolve no clima e constrói as coisas juntos. Seo Ricardo consegue sacar nossas dificuldades e dá nos um suporte legal'', analisa o ator.
Ricardo Queirolo, como todo palhaço, gosta mesmo é dos improvisos. O texto falado em cena nem sempre é exatamente o mesmo do roteiro. ''Na hora da apresentação o que conta é o improviso. Dou textos diferentes para eles, mas não os deixo em má situação'', diverte-se. A atriz Maria Amélia Melo comenta que o mais difícil nesse trabalho foi a pouca experiência dos atores enquanto palhaços função que para Fernando Góes é o exercício máximo do ator.
O entrosamento entre o grupo é um fator determinante para um bom espetáculo, ensina Queirolo. E o respeito com cada elemento de cena é fundamental. Todo o material de cena pertence a Ricardo Queirolo e foi utilizado pelo palhaço Picolino em inúmeras apresentações no circo. A forma de tratar tudo o que compõe a montagem fez com que os jovens atores se antenassem para a preciosidade com que estão trabalhando. ''A presença desses objetos em cena dão noção de onde tudo isso já passou. É história!'', salienta Luís Henrique.
O projeto ''Picolino e os Fantasmas'' tem apresentações agendadas até o final do ano em Londrina. Mas a próxima montagem já está nos planos da trupe: ''Picolino Volta com os Cangaceiros''.


q''Picolino e os Fantasmas'' Pantomima cômica circense. Hoje, amanhã e sexta, às 15 horas, sábado e domingo, às 17 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413), em Londrina. Roteiro e direção: Ricardo Queirolo. Elenco: Ricardo Queirolo, Fernando Góes, Luís Henrique, Roberta Nigro, Maria Amélia Melo e Sérgio Mello. Iluminação: Josy Galvão. Produção: Maria Amélia Melo e Luís Henrique Silva. Duração: 50 minutos. Ingressos: R$ 6,00 (crianças até seis anos, estudantes e aposentados pagam meia). Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Caixa Econômica Federal.

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