Um artista em tempo de isolamento
Claudio Costa persiste na arte em tempo de pandemia e, como outros profissionais, conta que está mais recolhido que nunca
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terça-feira, 21 de abril de 2020
Claudio Costa persiste na arte em tempo de pandemia e, como outros profissionais, conta que está mais recolhido que nunca
Walkiria Vieira - Grupo Folha 
A tinta azul acabou. Mas o espírito criativo é maior e assim, mesmo no isolamento social, o artista plástico Claudio Francisco da Costa, ou simplesmente Claudio Costa, segue produzindo. Recente exemplo é a obra "Flores sobre Azuis", acrílica sobre tela, 70X50cm, criada durante a pandemia e despachada para Indaiatuba, interior de São Paulo, no dia 13 de abril. Adquirida por um colecionador via redes sociais, foi definida pelo comprador com a seguinte frase: "Fiquei muito comovido" e por esse motivo pagou o valor atribuído à arte. Mesmo com tanta experiência, o artista plástico considera que é impossível não ficar indiferente a tal expressão de sentimento. "Foi do fundo do coração", revela.
Autodidata, Costa deixa em evidência o expressionismo alemão oriundo dos anos 80, como uma das influências de sua identidade. "Foi uma influência de toda uma geração, só não fiquei famoso". Embora com dezenas de obras no Brasil e exterior, a modéstia é marca pessoal. "Trafego na pequena imortalidade que se desenvolveu por um amigo, pelos amigos dos amigos e assim sucessivamente, não sou do mercado, faço um trabalho de formiguinha", diz. Desenhar bem e depois estragar, assim define sua ritualística.
De hábitos caseiros, Costa diz que está mais recolhido do que nunca. "Enfurnado". Acostumado com o próprio canto, considera também que os trabalhos online nunca estiveram tão presentes como agora. "Vi editais do Amazonas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, assim como saraus literários e vendas de cursos", comenta. "Em Londrina, as artes visuais devem estar sofrendo, mas para mim, particularmente, já posso considerar que foi um ano positivo. "A aquisição recente de mais de 10 obras por um colecionador é também o que muda a realidade do artista. "Eu não posso reclamar, mas sei que que não é assim com todos.

Ao lado da esposa, Leila Jeolas, o artista plástico conta que tem se dedicado a leituras, filmes e mantém o contato com os amigos por meio de videochamadas. "Para quem mora em casa, é mais fácil de ver a necessidade das pessoas. Muitos batem à porta e já deixamos vários itens comprados e separados para essas pessoas. Saio só uma vez por semana para ir ao mercado e com toda a prevenção das autoridades de saúde". diz. "Deixei de fazer minhas caminhadas que eram para comprar cigarro e com isso parei de fumar". Sim, no meio da pandemia, o artista conta, com serenidade, que deixou o vício de modo tranquilo. E surpreende.
A tinta azul acabou mesmo. Materialmente, a pandemia afeta o artista. Mas não sua alma. O artista lança mão de pigmentos para suprir as dificuldades e também observa o azul do céu de Londrina como inspiração. "É provocativo". Algumas obras como Por do Sol, fruto da observação do por do sol em Londrina, é um exemplo. Foram uns 20 minutos de observação. "Fiquei até o fim curtindo. Cheguei em casa, bati tinta e enfezei". O processo que define como explosivo dura exatamente o tempo da música de 'Who Knows?', de Jimi Hendrix . "Mas existem aquelas que exigem uma dedicação diferente. Fiquei sambando em Flores Sobre Azuis, foram três dias", conta sobre o seu processo de criação, produção e finalização.
Sobre a comercialização, também conta que existe distinção: "Já aconteceu de eu expor às 7h30 na internet e às 8h30, um hora depois, já ter vendido. Assim como há algumas que se tornaram minhas até hoje. No youtube, é possível ver um exemplo de Claudio da Costa pintando, é só clicar aqui aqui
"Esse foi um exemplo, o amigo viu o filme que meu filho publicou no youtube foi vendido assim. "Cadê o quadro da cadeira", ele pediu. O vídeo dura menos de seis minutos. É assim que Claudio da Costa transforma com tanta energia um objeto como uma simples cadeira, em algo tão admirável.
Incentivo à arte persiste
Com o objetivo de movimentar a economia criativa em tempos de pandemia mundial de coronavírus, o Itaú Cultural (IC) lança mais um edital do Arte como Respiro: Múltiplos Editais de Emergência. Trata-se do terceiro edital, com inscrições abertas desde o dia 20 até as 23h59 de 22 de abril. O edital é voltado para profissionais das artes visuais que tiveram sua rotina modificada neste momento de pandemia e necessidade de suspensão social.
De acordo com o edital, os inscritos podem se candidatar a dois tipos de categoria: produção Artes Visuais, na qual cada artista poderá inscrever um trabalho que reflita sobre as seguintes questões: na limitação do confinamento, como os artistas continuam suas produções? O que estão criando neste momento histórico? Como o isolamento social afeta o processo e/ou o resultado da produção da obra? Serão aceitas reproduções (em imagem) digitais de trabalhos bidimensionais (como pintura, gravura e desenho) e tridimensionais (como escultura e instalação) e projetos realizados na linguagem audiovisual. O trabalho enviado deve ser acompanhado por uma pequena biografia (de até 300 caracteres) e por um texto do próprio autor sobre o projeto (de até 800 caracteres).
A outra categoria é a Série Fotográfica, na qual cada artista poderá inscrever uma série de fotos (contendo obrigatoriamente nove imagens) com o tema “Isolamento social”. Veja todos os detalhes e no edital completo


