Um artista de traços econômicos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de junho de 1997
Zeca Corrêa Leite, De Curitiba 
Desenhos, Gravuras e Maquetes é o nome da exposição que o artista plástico Amilcar de Castro inaugura a partir de amanhã, no Espaço de Arte Ybakatu, em Curitiba. Esta é uma chance do curitibano tomar contato mais próximo com o trabalho do consagrado artista mineiro. Desde os anos 40 ele desenvolve um projeto cujo elemento principal (e único) para a estrutura de suas obras é a linha. Os traços são econômicos, contidos, e jamais corrigidos. Resultado: de centenas de materiais salvam-se aqueles que o artista realmente aprova.
Essa economia discursiva está em tudo aquilo que cria, do desenho à escultura, sem perder de vista a poesia. Sua insistência em trabalhar dentro destes conceitos de certa forma ajusta-se aos tempos em que estudava com Guignard, e este insistia na utilização do lápis duro, que dava origem a um desenho sem sombras, somente com linhas.
Para traçá-las era preciso decisão, porque depois de riscadas, de nada adiantaria querer apagar. A marca ficava no papel. Amilcar de Castro muitas vezes pensou em rasgar o papel onde o grafite tinha deixado um sulco, e assim obteria a terceira dimensão. Começava a nascer um desenho que posteriormente seria tomado como projeto de escultura.
Mais tarde, nos anos 50, encaminhando-se para a escultura, o artista substituiria a planície branca do papel por uma chapa de ferro, e ao invés do lápis, faria uso do maçarico de corte. Entra em cena a maquete para suas obras. Ela mostrará com maior clareza a harmonia dos objetos a serem produzidos.
Confeccionadas em aço cor-ten - material cuja oxidação se desenvolve até determinado limite - , as obras de Amílcar trazem o que se poderia chamar de as cores do envelhecimento. Em sua maioria de grandes proporções, são destinadas a amplos espaços públicos. O mineiro, porém, trafega pelas tintas e gravuras, pelas esculturas de pequeno porte, num território que ele muito bem conhece.
Desenhos, Gravuras e Maquetes, de Amilcar de Castro, de 4 a 28 de junho, no Espaço de Arte Ybakatu (Rua Itupava, 414. Tel 041/264-4752).


