O artista plástico Juarez Machado, que expõe esculturas atualmente em Paris, prepara uma grande mostra que acontecerá no Brasil, em 2001, para marcar seu ‘‘centenário’’ – 60 anos de vida e 40 de carreira. Antes disso, em outubro, ele representará a América Latina em uma exposição no Vaticano, reconfirmando a maturidade e internacionalidade de sua pintura.
Mesmo morando em Paris há 15 anos, no charmoso bairro de Montmartre, o artista continua bem ligado a tudo o que acontece no Brasil. ‘‘Na verdade eu não saí do Brasil. Eu vim a Paris. É diferente’’, frisa Juarez, entusiasmado com a grande mostra que esta preparando. A exposição ‘‘100 de Juarez Machado’’ deve estrear no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Pintor, escultor, desenhista, cenógrafo de televisão e teatro, mímico, publicitário, cartunista e designer, entre outras aventuras (inclusive literárias), Juarez completará 40 anos de carreira e 60 de idade no próximo ano, no dia 16 de março. ‘‘Será meu centenário’’, brinca ele. Quem conhece seu trabalho já deve imaginar qual o personagem de sua carreira que certamente não faltará na exposição: a bicicleta.
Como não poderia deixar de ser, será justamente ela o fio condutor da espécie de retrospectiva proposta por Juarez. A bicicleta é a espinha dorsal que percorre todo seu caminho e é também um símbolo de tempo. ‘‘É ela que dá movimento à minha pintura e que vai alinhavar a exposição, circulando nos vários períodos da minha carreira. A começar por meu primeiro quadro ‘‘Operários do Itaum de guarda-chuvas’’, feito em 1960 para o Salão dos Novos, em Curitiba, que retrata os trabalhadores saindo de bicicleta das fábricas de Joinville’’.
Além desse, de seu próprio acervo, virão outros que estão nas mãos de colecionadores e alguns que serão feitos especialmente para a mostra. ‘‘Sou rato de museu e adoro exposições grandes. Por isso ela terá no mínimo uns 120 trabalhos’’, diz, adiantando que a mostra poderá contar até com vídeos do período em que trabalhou como humorista na TV Globo , entre as décadas de 60 e 70.
‘‘Ainda estávamos na época da ‘televisão a vapor’ e eu buscava a identidade da telinha explorando todas as suas possibilidades. Até hoje as pessoas me perguntam sobre esse período’’, lembra ele. Outra faceta que deverá ser relembrada na exposição ‘‘Cem Anos... ’’ é a do Juarez cartunista. De 1970 a 1978 ele foi o titular da coluna de humor Nonsense, do ‘‘Jornal do Brasil’’, e desenhou para o ‘‘Pasquim’’. Juarez também fez cenários para a televisão e teatro e trabalhou com arquitetura e design no Rio de Janeiro.
‘‘Essa minha passagem pela imprensa, pela TV e teatro foi uma maneira vampiresca de pegar elementos para então aplicar à minha pintura. Me considero um artista completo’’, diz Juarez Machado. A partir desta semana ele se instala, de malas e cavaletes, em Boston, onde ficará três meses pintando e organizando uma outra exposição, nos EUA, também em 2001.

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