ReproduçãoPaisagem em São Miguel, a maior das ilhas dos Açores: arquipélago é formado por nove picos vulcânicos dispersos no meio do AtlânticoNuma linha imaginária entre Lisboa e Nova York, nove ilhas no Atlântico formam o Arquipélago dos Açores. Descobertas ou reconhecidas pelos portugueses a partir de 1427, foram povoadas no século 15 por pioneiros do continente. Nos séculos seguintes, o arquipélago firma-se como eixo de tráfego entre a Europa, a América e o Oriente.
Das nove ilhas, São Miguel é a maior e Corvo, a menor. Algumas são identificadas com uma cor. São Miguel é verde, o azul corresponde ao Faial, Terceira é lilás, Graciosa reflete o branco e a do Pico, o negro. O tom mais forte dos Açores, porém, é rural.
Uma fazenda imensa à beira do oceano. O gado, quase sempre sonolento e bem-nutrido, passeia por vales verdes que se prolongam até as falésias, que atingem até 300 metros de altura. Precipícios que dão vertigem, princípio de muitas aventuras por essa região autônoma de Portugal. Do alto dos mirantes assiste-se a um espetáculo que se repete todas as horas: ondas se atiram contra as pedras desenhando colarinhos de renda branca no mar. Esta imagem dos Açores só não é mais forte que a dos vulcões ‘‘quase mil’’ , presentes na história, na geografia, nas lendas e até no humor dos açorianos.
Sobre essa gente ilhada no meio do mundo, a melhor síntese é do poeta e filho da terra Vitorino Nemésio: ‘‘Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo hábitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. Como as sereias, temos uma dupla natureza: somos de carne e de pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.’’

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