Um ano no Cemitério
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de janeiro de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Ao completar um ano de atividade, a Vila Cultural Cemitério de Automóveis, que leva o nome do antológico grupo do dramaturgo londrinense Mário Bortolotto, ressuscitou um tradicional reduto de arte da cidade.
A Vila Cultural Cemitério de Automóveis devolveu à região do Centro, onde por muitos anos resistiu o Teatro Núcleo 1, a vocação cultural em meio ao patrimônio de edificações em Art Déco que, por sua vez, vem conseguindo resistir à especulação imobiliária.
Um barracão localizado na João Pessoa, 103, que estava fechado há cinco anos, foi repaginado, com reformas nas instalações elétrica, hidráulica e troca de parte do telhado, recebendo uma programação artística e cultural que agora pretende envolver os moradores e trabalhadores da região.
''Vamos investir mais em projetos que envolvam o entorno da Vila Cultural e a comunidade. Entre eles, o 'Leitura no Cemitério'', que já começou, na hora do almoço. Além dos moradores locais existe um grande comércio na região. Pessoas que não tinham nada para fazer nesse horário. De terça-feira a sábado, estamos dando a oportunidade para que venham, ouçam uma boa música e leiam um bom livro'', explica a diretora da Vila Cultural Cemitério de Automóveis, Christine Vianna.
Ela acrescenta que, às sextas-feiras, a programação inclui contação de histórias para adultos. Christine afirma que o projeto quer despertar de uma maneira lúdica o gosto pela leitura em pessoas que, em alguns casos, na infância, tiveram experiências negativas com os livros, através de leituras obrigatórias nas escolas.
Para este ano, a previsão também é adaptar o espaço para apresentações teatrais, com a instalação de arquibancada e iluminação e criar um grupo de teatro.
Na trajetória da Vila Cemitério de Automóveis, Mário Bortolotto é um capítulo à parte. Apesar de não ter uma influência direta na programação, sempre é consultado, como membro do conselho, além de ministrar oficinas de dramaturgia e interpretação.
''No ano passado, nós conseguimos atingir vários objetivos, mas a nossa grande dificuldade foi de divulgação. Até as pessoas descobrirem e se encantarem com o local, é demorado'', afirma Christine, lembrando que a vila mantém um canal de comunicação bimestral com a comunidade, através do ''Jornal do Cemitério''.
Num balanço sobre as atividades, a diretora destaca projetos de literatura em que escritores como Marco Fabiani, Nelson Capucho e Célia Musilli foram convidados para debates literários.
A grade de shows em 2008 também foi bastante generosa, com projetos como ''Música na Quinta'', do músico Eduardo Batistella, que promoveu shows com grupos locais que têm composições próprias, como ''A Barca de Papel'', caracterizado por apresentações que envolvem música, poesia e imagem.
Este ano, a Atrito Art Artistas e Produtores Associados (Aarpa), associação que está à frente do espaço, pretende torná-lo um Ponto de Cultura, ação prioritária do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura (MinC) em que representantes da sociedade civil firmam convênio e, por seleção, ficam responsáveis pela articulação e incentivo de ações já existentes em suas comunidades.


